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Risco de morte maior entre idosos com pouca massa muscular

08/07/2019 as 11:00 | Estado de So Paulo | Da Redaao
Estudo realizado na Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo (USP) aponta que avaliar a composio corporal de pessoas com mais de 65 anos pode ser uma estratgia eficaz para estimar a longevidade, sobretudo por meio da anlise da massa muscular localizada em braos e pernas (apendicular).

Depois de acompanhar um grupo de 839 idosos durante cerca de quatro anos, os cientistas observaram que o risco de mortalidade geral durante o perodo foi quase 63 vezes maior entre as mulheres com pouca massa muscular apendicular.

Apoio

Entre os homens que j na primeira avaliao apresentavam baixa porcentagem de msculos nos membros, a chance de morrer foi 11,4 vezes maior. Os resultados da pesquisa, apoiada pela Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo (Fapesp), foram divulgados no Journal of Bone and Mineral Research.

Avaliamos a composio corporal da nossa populao, com nfase na massa muscular apendicular, gordura subcutnea e gordura visceral. Em seguida, buscamos identificar quais desses fatores poderiam predizer a mortalidade nos anos seguintes. A quantidade de massa magra nos membros superiores e inferiores foi o que mais se destacou na anlise, disse Agncia Fapesp Rosa Maria Rodrigues Pereira, professora da disciplina de Reumatologia na Faculdade de Medicina e coordenadora da pesquisa.

O apoio de agncias de fomento, como a Fapesp, fundamental, pois o financiamento representa um grande desafio. O trabalho, que comeou em 2005, trouxe respostas a vrias perguntas que fazamos h mais de dez anos, com um retorno para o Pas e a valorizao para a pesquisa nacional, acrescenta a docente.

Os voluntrios foram examinados por uma tcnica conhecida como densitometria por emisso de raios X de dupla energia (DXA, na sigla em ingls). O equipamento foi adquirido com auxlio da Fapesp, durante um projeto anterior coordenado pela docente, para avaliar a prevalncia de osteoporose e de fraturas em idosos residentes no Butant, na zona oeste da capital paulista.

Em ambos os projetos foi estudada a mesma populao, acima de 65 anos. Selecionamos os voluntrios com base nos dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. Trata-se de uma amostra representativa da populao de idosos do Brasil, ressaltou a docente.

Na anlise final, foram includos 323 (39%) homens e 516 mulheres (61%). A frequncia de baixa massa muscular nessa amostra foi em torno de 20% em ambos os sexos.

Condio

A perda generalizada e progressiva de massa muscular associada ao envelhecimento conhecida como sarcopenia. Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia indicam que a condio chega a afetar 46% dos indivduos acima de 80 anos.

Principalmente quando combinada osteoporose, a sarcopenia pode aumentar a vulnerabilidade dos idosos, tornando-os mais propensos a quedas, fraturas e outros traumas fsicos.

Pelos critrios mais usados, a maioria dos indivduos identificados como sarcopnicos magra. Como a populao que estudamos apresentava, em mdia, um ndice de massa corporal mais elevado, ajustamos o clculo da massa muscular de acordo com a gordura corporal dos voluntrios. Aqueles que apresentavam um ndice de massa muscular 20% abaixo da mdia foram classificados como sarcopnicos, explicou Rosa Maria Rodrigues Pereira.

Alm do exame de densitometria, tambm foram realizadas anlises de sangue e aplicados questionrios para avaliao da dieta, grau de atividade fsica, consumo de tabaco e lcool e presena de doenas crnicas, como diabetes, hipertenso e dislipidemia.

Aps quatro anos de seguimento, 15,8% (132) dos voluntrios haviam morrido. Desses, 43,2% por problemas cardiovasculares. O ndice de bito entre os homens foi de 20%, enquanto entre as mulheres foi de 13%.

Diferenas

De modo geral, os indivduos que morreram eram mais velhos, faziam menos atividade fsica, sofriam mais de diabetes e de problemas cardiovasculares. Alm disso, no caso das mulheres, apresentam um IMC mais baixo.

No caso dos homens, eles apresentavam maior chance de sofrer quedas. Todas essas variveis foram acrescentadas no modelo estatstico e ajustadas para o resultado, que indicaria qual fator da composio corporal estaria associado com o risco de morte.

No caso das mulheres, consideradas as variveis de ajuste, apenas o ndice de massa muscular baixo se mostrou significativo. J entre os homens, a gordura visceral tambm foi um fator relevante.

A chance de morrer tornava-se duas vezes maior a cada aumento de seis centmetros quadrados na adiposidade abdominal. Curiosamente, um ndice mais alto de gordura subcutnea teve efeito protetor para os homens estudados.

Observamos que nos homens outros parmetros tambm influenciaram negativamente a mortalidade, diminuindo do ponto de vista estatstico o peso da massa muscular apendicular. Nas mulheres, por outro lado, a massa muscular se destacou de forma isolada e, por esse motivo, teve maior influncia, salientou a docente.

Exerccios

A boa notcia que a sarcopenia um problema que pode ser evitado e at mesmo revertido com a prtica de exerccios fsicos, principalmente musculao. Cuidados com a ingesto de protenas tambm so recomendados.

muito importante tentar orientar os pacientes quanto massa muscular, sobretudo com medidas preventivas como musculao, atividade fsica e dieta com protenas, avalia a professora Rosa Maria Rodrigues Pereira.

O artigo Association of Appendicular Lean Mass, and Subcutaneous and Visceral Adipose Tissue With Mortality in Older Brazilians: The So Paulo Ageing & Health Study, de Felipe M. de Santana, Diogo S. Domiciano, Michel A. Gonalves, Luana G. Machado, Camille P. Figueiredo, Jaqueline B. Lopes, Valria F. Caparbo, Liliam Takayama, Paulo R. Menezes e Rosa M. R. Pereira, pode ser acessado pela internet.
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