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Domingo, 28 de Maio de 2023

Luiz Henrique Semeghini condenado a 16, 4 anos de priso

09/10/2015 as 00:43 | | Da Redaao
Aps exatos 15 anos, o mdico Luiz Henrique Semeghini foi finalmente julgado e condenado nesta quinta-feira(8), por matar a tiros a esposa Simone Maldonado, em outubro de 2000.

Em julgamento que durou mais de quinze horas(das 9h 00h44) no Frum de Fernandpolis, Semeghini foi condenado por homicdio duplamente qualificado (forma agravada do homicdio simples previsto no art. 121 CP) pelo juiz responsvel pelo caso, Vincius Castrequini Buffulin.Com isso, ele ter de cumprir uma pena de 16 anos e 4 meses de deteno em regime fechado.

Porm, o ru no saiu algemado do local, j que aguardar em liberdade o transitado em julgado. A defesa tambm adiantou que apresentar recurso ao Tribunal de Justia, e at a execuo da sentena, Semeghini poder levar uma vida normal, e at mesmo atender em seu consultrio particular.

Em contato com o RN, um dos irmos de Simone, Hlio Maldonado, se mostrou satisfeito com a pena imposta para o mdico, que segundo ele, era o que a famlia esperava, de no mnimo 16 anos de deteno.

O JULGAMENTO

Nas primeiras horas do dia, ainda de madrugada, dezenas de estudantes de Direito acamparam defronte ao Frum para conseguirem uma vaga, entre as cem disponveis, e acompanharem o mais esperado julgamento da histria da cidade.Pouco a pouco, familiares de Simone, advogado de defesa e assistentes de acusao, e o prprio ru foram chegando ao local para dar incio ao julgamento.

O primeiro a depor foi o irmo de Simone, Ralph Maldonado, que relatou que teria tido um encontro com Semeghini um dia antes do ocorrido, e dito que a irm estava decidida a se separar, mas o mdico teria reagido de forma negativa, relatando que "ficaria mal socialmente".

A segunda depoente foi a esteticista aposentada Fusako Mishimura Sugahara, amiga do ru, que contou ao juiz que sabia do caso de Simone com o empresrio Antnio Assis de Menezes.Fusako afirmou que Semeghini um bom mdico, nunca foi agressivo e amava muito Simone.

Um dos depoimentos que mais chamaram ateno foi do ex-proprietrio da Padaria Bastilha, Luis Gregorini Sobrinho, que relatou uma suposta "traio tripla" de Simone.Sobrinho afirmou que tomou conhecimento de que Semeghini e a esposa chegaram do baile do Hava na noite do crime, e ao Simone tirar a roupa, o marido a teria elogiado, mas a mulher teria respondido que o seu corpo no era dele e sim de "fulano, ciclano e beltrano", e dito trs nomes de homens diferentes.

Logo depois, outras duas testemunhas de defesa foram ouvidas, sendo elas o juiz aposentado Hilton Marzoc e o psiquiatra forense Guido Palomba. Marzoc afirmou que Simone tinha atitudes desrespeitosas com o marido e seu caso com Toninho Assis j era de conhecimento do mdico.Marzoc ainda revelou que seu ex-sogro, que trabalhava na Cesp, teria flagrado Simone de "sorrizinhos", flertando com um dos funcionrios da empresa.

J Palomba justificou os motivos tcnicos que o fizeram produzir um parecer afirmando que Semeghini havia cometido o crime sob forte emoo.

Em seu depoimento, o ru Luiz Henrique Semeghini contou que a esposa o humilhou contando sobre o affair com o empresrio Antnio Menzes de Assis."Ela me disse que as cirurgias plsticas que tinha feito no corpo no eram para mim, e sim para Toninho", deps o mdico.Com isso, o ru teria ficado enfurecido e entrado em luta corporal com Simone, antes de assassin-la.

Outro ponto alto do jri foi o bate-boca entre o advogado de defesa Alberto Zacharias Toron e o assistente de acusao Fernando Jacob Filho, que teria deixado Toron irritado ao dar risada durante o depoimento de Semeghini. Os dois trocaram farpas e ofensas at Toron voltar ao seu lugar e mais uma vez Jacob rir ironicamente da postura do colega.

Entrando na reta decisiva, o julgamento passou a contar com as consideraes finais da defesa e acusao.O promotor de justia Fernando Csar de Paula defendeu a vtima Simone Maldonado das acusaes que sofrera durante o dia, dizendo que Simone era tranquila, serena e simples, e que no seria capaz de ofender o marido, ou t-lo agredido.J Fernando Jacob Filho rebateu a verso de Semeghini do ocorrido na noite do crime, dizendo que Simone teria chegado do baile do Hava cansada, e no teria disposio para falar sobre separao com o marido, tampouco provoc-lo falando do amante.

Para defender o cliente, o renomado advogado criminalista Alberto Zacarias Toron comeou sua explanao afirmando que se o caso dura 15 anos, o Ministrio Pblico tambm seria o responsvel, pois, assim como a defesa, apresentou diversos recursos, protelando o julgamento.Toron tambm justificou em todos os momentos que Semeghini teria agido sob forte emoo e pediu a aplicao de uma pena justa.

A defesa ainda reiterou o nome do possvel amante da estudante e empresria, conhecido como "Toninho Assis" (Antonio Menezes de Assis), fato que teria gerado a morte dela.

Toron contou que o mdico teria voltado de So Jos do Rio Preto, na tarde de sbado, dia 14 de outubro de 2000, horas antes do crime, recusando-se a ir ao baile do Hawai, promovido pelo clube Casa de Portugal.

Aps o dia cansativo, o casal saiu para jantar, quando foi surpreendido pelo empresrio que chegou e sentou mesa, tentando convencer Luiz Henrique e Simone Maldonado a irem ao baile.

Simone se mostrava disposta, mas Semeghini por vrias vezes se recusou, mas acabou aceitando o convite. Testemunhas contaram que o casal discutiu durante o evento e a briga acabou se estendendo at a residncia no bairro Por do Sol.

Toron relatou que o mdico tentou fazer um carinho na ex-esposa e teve a recusa por duas vezes. Uma nova discusso teria se iniciado quando Simone teria dito que Semeghini no tocaria mais no corpo dele e ainda teria revelado que amava Toninho Assis

A defesa tambm alegou que a revelao deixou o mdico transtornado, fora de si, dando incio a uma luta corporal com a esposa. Em um momento, Luiz Henrique pegou a arma e disparou vrias vezes contra Simone Maldonado, que morreu no local.

O criminalista ainda alegou que Simone recebeu os dois tiros enquanto estava em p e pediu ao juiz pena reduzida, sem as qualificadoras.

Com a explanao da defesa, Buffulin concedeu a rplica para a acusao, que teve uma hora para rebater os argumentos de Toron e o assistente Renato Martins. Fernando Csar de Paula e Fernando Jacob Filho argumentaram que o discurso do ru ter agido sob forte emoo no era justificado e que a reao depende do carter de cada pessoa.

A defesa voltou tona nas consideraes finais e pediu mais uma vez que os jurados julgassem Semeghini por homicdio simples e no qualificado, como pedia a acusao.E mais uma vez, insistiu na justificativa do assassinato pelo ru ter agido sob forte emoo.

Para finalizar, os jurados registraram os seus votos e Buffulin deu o veredicto: homicdio duplamente qualificado, com pena de 16 anos e 4 meses de priso em regime fechado.O magistrado ainda classificou a histria do suposto amante de Simone como fantasia, pois em seu depoimento, Fusako Sugahara teria entrado em contradio.
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