Quarta, 12 de Maio de 2021

Terroristas franceses devolveram cão a dono de carro durante fuga

11/01/2015 as 13:00 | Mundo | Da Redaçao
O dono do segundo veículo usado na fuga dos irmãos Kouachi, responsáveis pelo ataque ao jornal francês "Charlie Hebdo", disse em entrevista a uma rádio francesa que os irmãos demonstraram calma no roubo do seu Renault Clio e que até devolveram seu cão.

Os terroristas estavam no Citroën no qual fugiram do jornal e abordaram o homem (cujo nome não foi divulgado) na rue de Meaux, a cerca de 2,5 km do "Charlie Hebdo".

Munido de uma metralhadora, o condutor do Citroën ordenou que o dono do Renault descesse do veículo, relata a vítima.

"Eu desci e o segundo [criminoso] se sentou no banco do passageiro, com um fuzil e uma espécie de granada."

Em seguida, a vítima disse ter aberto a porta traseira e pedido para recuperar seu cão, o que lhe foi concedido.

De acordo com o dono do Renault, eles não estavam mascarados e aparentaram calma. "Eles eram determinados e profissionais. Não levantaram a voz, não correram nem transpiravam."

Ao partirem, teriam orientado o homem a dizer à mídia que se tratava da Al Qaeda do Iêmen.

A vítima ainda relatou que só se deu conta que os assaltantes eram os autores do ataque ao "Charlie Hebdo" quando, após o roubo, viu o caso do jornal satírico ser transmitido na televisão.

"Eu fui um dos poucos a vê-los com os rostos descobertos. Tive muita sorte [de sair ileso]", disse ele à rádio.

Segundo a mídia estrangeira, Said Kouachi, 34, um dos irmãos, foi treinado pela Al Qaeda em 2011 no Iêmen.

No atentado ao "Charlie Hebdo", os atiradores pouparam algumas mulheres –um deles teria dito à jornalista Sigolène Vinson: "Não tenha medo, não vou matá-la. Você é mulher. Mas pense no que está fazendo. Não é certo".

Contudo, apesar da frieza, o ataque teve "falhas". Antes de chegar ao jornal, os irmãos teriam entrado em outro prédio por engano. Mais tarde, Said deixou seu documento de identidade em um dos carros usados na fuga.

Além disso, nos dias seguintes ao atentado, os Kouachi não conseguiram traçar um plano de fuga.

Os irmãos foram até uma gráfica em Dammartin-en-Goele, a 35 km a nordeste da capital francesa, onde fizeram um refém e foram mortos nesta sexta (9), segundo a polícia. O homem identificado como Amedy Coulibaly, 32, que mantinha reféns em um mercado de Paris, também foi morto na sexta.
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