Domingo, 26 de Maio de 2024

1 kg por R$ 1 milhão: o mercado de roubo de pedras da vesícula de boi

22/04/2024 as 14:07 | Brasil | DCM
O Fantástico do último domingo (21) mostrou as conexões de um crime ainda pouco conhecido, envolvendo o roubo de pedras da vesícula de boi. Essas “preciosidades” são vendidas principalmente a países asiáticos, com um mercado mundial avaliado em R$ 1,5 bilhão.

As investigações tiveram início no interior de São Paulo. Em alguns casos, o valor de venda pode chegar a R$ 1.000,00 o grama, três vezes mais do que o preço do grama de ouro.

Essas pedras especiais são formadas dentro das vesículas de bois e vacas, especialmente dos animais mais velhos, e valem mais do que os cortes de carne mais nobres. O Brasil é um dos maiores produtores desse material no mundo.

Embora exista um mercado formal para a comercialização desses cálculos biliares no Brasil, com empresas devidamente constituídas que compram e exportam o material, nem tudo ocorre dentro da legalidade. Em setembro de 2023, começaram a ocorrer uma série de assaltos, todos no interior de São Paulo.

Em um desses assaltos, os bandidos levaram pelo menos R$ 2 milhões em pedras de vesícula de bois. Três meses depois, outro roubo ocorreu em Barretos, cidade conhecida como a capital nacional das pedras de boi.

Na mesma semana, a 300 quilômetros de distância, em São João da Boa Vista, ocorreu mais um crime. Segundo as investigações, a dupla de ladrões de São João da Boa Vista era a mesma que invadiu a casa em Barretos. Os policiais de Barretos conseguiram identificar o receptador dessas pedras.

Por que são tão valiosas?
As pedras são utilizadas em preparos da medicina tradicional em vários países do leste da Ásia, sendo a China a principal compradora, seguida pelo Japão e Coreia.

O Dr. Dongwoo Nam, entrevistado pelo Fantástico, trabalha em Seul, capital sul-coreana, e explicou que essas pedras são extremamente valorizadas na medicina natural coreana, sendo consideradas um dos ingredientes mais caros.

“Essas pedras são muito famosas em remédios naturais coreanos. São um dos ingredientes mais caros”, explicou. “Nós usamos pra derrames, pra doenças do coração. E também como sedativo, pra ansiedade e insônia”.

Enquanto no ocidente se considera o princípio ativo dos medicamentos, na Ásia o foco está no equilíbrio do corpo, representado pelos extremos yin e yang, e na estimulação da força vital conhecida como tchí. Essa abordagem visa promover o bem-estar de forma global, levando em consideração diversos aspectos da saúde física e mental.

A alta procura gera, principalmente, uma coisa: a falta do produto no mercado. “As pedras de boi andam em falta. E são cada vez mais raras, porque o gado hoje é abatido mais jovem, mal dá tempo de formar as pedras. E, do pouco que tem, a China compra quase tudo.”, afirmou o médico Dongwoo Nam.
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