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Segunda, 11 de Dezembro de 2023

ACAR: doce perigo vista

18/11/2023 as 10:05 | Fernandpolis | Andr Marcelo Lima Pereira
Originrio da Nova Guin, a partir do sculo XI at o sculo XVII, o acar era um produto caro, desejado, a ponto de ser dado como dote nos matrimnios. Caparica (2010, p. 63) relata que as moas de ento guardavam entre as rendas dos seus enxovais uma caixinha mimosa com um p branco, o acar. Foram os portugueses da Ilha da Madeira que desenvolveram a cultura dos doces, as tcnicas aucareiras e o comrcio das frutas cristalizadas. O acar chegou ao Brasil em 1526, em Pernambuco, cujo clima e solo massap favorecem o cultivo da cana-de-acar que dominou o cenrio econmico por quatro sculos, tornando-se o caminho preferencial da ocupao e da formao social e cultural do brasileiro. O acar, como alimento e fonte calrica de amplo consumo e aceitao popular, aos poucos, teve ampliadas as formas de seu uso que iam desde remdio para facilitar a absoro de outras substncias medicinais, at produto de luxo e ostentao, smbolo da nobreza, conservante de frutas e outros alimentos, especiaria culinria essencial e, finalmente, alimento bsico na dieta da classe trabalhadora (Caparica, 2010, p. 63).

O acar, nome vulgar da sacarose refinada, um produto qumico barato [extrado de um capim] que, travestido de alimento, impregna a alimentao do homem moderno, transformando-a na rao patognica que empurrou a humanidade para a era das doenas crnicas, metablicas e degenerativas (Carvalho, 2006, p. 173). O acar do dia a dia a sacarose, um carboidrato formado por frutose e glicose, sendo, no Brasil, extrado da cana-de-acar. Trata-se de uma das principais fontes de energia da dieta, encontrado nos alimentos in natura como frutas, verduras e leite, e em produtos industrializados. No um vilo para a sade, e o impacto de seu consumo depende da quantidade usada nas preparaes: em uma dieta balanceada, sem excesso, deixa os alimentos mais saborosos e proporciona uma sensao de prazer e bem-estar. Seu consumo excessivo, porm, estimula o desenvolvimento de doenas como diabetes e crie, que podem ser contornadas com mudana de hbitos dietticos e higiene bucal adequada (Torrezan; Neves; Reis, 2017).

Produto qumico farto e considerado relativamente de baixo custo, o acar um veneno da alimentao diria e impregna alimentos e tudo o que entra pela boca do ser humano: comida, bebida, remdio e at fumaa de cigarro e pasta de dente (Carvalho, 2006, p. 35). Adicionado aos alimentos como agente adoante e conservante, embora at agncias oficiais que regulam os aditivos alimentares assim no o considerem, o acar um aditivo qumico que alterou completamente o carter da alimentao do ser humano e lhe conferiu patogenicidade (Carvalho, 2006) O acar pode ser entendido como um agente agressor do organismo e ao enfraquecimento do sistema imune e potencializar o envelhecimento (BRASIL, 2006a). O acar tambm desidrata, elimina minerais e vitaminas ingeridos, acidifica, irrita mucosas do tubo digestivo, desequilibra o sistema glandular endcrino e osmolar e inferniza todo o organismo com o fenmeno da glicao no-enzimtica de protenas (GNP) (Carvalho, 2006 Fialho et al., 2019; Morais; Sperandio; Priore, 2020).

No passado, o consumo de doces, especialmente na infncia, estava associado a produtos regionais e fabricao familiar, que vinham carregados de significado cultural. Com a industrializao atual, as crianas dispem de um universo mais amplo de alimentos doces de acesso fcil, forte apelo visual, mas sem significado cultural. O aumento acentuado no consumo de doces e produtos aucarados (incluindo bebidas) impactou a sade dos consumidores provocando doenas ligadas a esse consumo alimentar como diabetes e crie dentria, tornando-se o acar o grande vilo da sade bucal (Fialho et al., 2019) por trs fatores: introduo precoce da sacarose na vida do beb que o condiciona a aceitar alimentos doces, alta frequncia de ingesto de alimentos aucarados determinando perda mineral constante e a ocorrncia de crie dentria.

A Resoluo da Anvisa n 12, de 24 de julho de 1978, define acar como uma sacarose obtida da cana (Saccoharum officinarum), ou da beterraba (Beta alba, L.), e, menos frequentemente, de outros vegetais, por processos industriais adequados (Anvisa, 1978). As diferenas dos acares esto, principalmente, no gosto, na cor e em sua composio nutricional; destaca-se que quanto mais escuro o acar, mais vitaminas e sais minerais ele possui, e mais perto do estado bruto ele est. A cor branca significa que o acar recebeu aditivos qumicos no ltimo processo da fabricao, o refinamento (Brasil, 2016, p. 108).

De acordo com sua caracterstica, o acar classificado em (CNNPA, 1978; Machado, 2012): acar cristal (mnimo 99,3% de sacarose), acar refinado (mnimo de 98,5% de sacarose), acar modo (mnimo de 98,0% de sacarose), acar demerara (mnimo de 96,0% de sacarose), acar mascavo (mnimo de 90,0% de sacarose), acar mascavinho (mnimo de 93,0% de sacarose), acar-cande (mnimo de 99,0% de sacarose), acar glac ou em p ou de confeiteiro (mnimo de 99.0% de sacarose, excludo o antiaglutinante), acar em cubos ou tabletes (mnimo de 98.0% de sacarose, excludo o aglutinante), acar para confeitar e acar pulverizado ou em cristais (adicionado de corantes permitidos). O acar simples de rpida absoro e utilizao pelo organismo, portanto, de curta durao; so considerados acares simples a sacarose (acar de cana), a frutose (acar da fruta) e a lactose (ou galactose acar do leite): ingeridos provocam um aumento excessivo de acar no sangue, seguido de um decrscimo acentuado. Mais recentemente, surgiram os acares light e o de coco. Por ser mais amplamente consumido, merece destaque o acar refinado, ou conhecido como acar branco, a ser produzido livre de fermentaes, de matria terrosa, de parasitos e detritos animais ou vegetais A cor branca resulta da aplicao de aditivos qumicos (como enxofre) no ltimo processo da fabricao, o refinamento, que se perdem, porm, algumas vitaminas e sais minerais (Brasil, 2016).

Por serem muito consumidos e mais presentes em pontos de venda do produto (como mercados e postos de convenincia), alguns tipos de acares podem assim ser caracterizados (Brasil, 2016): a) acar cristal: traz cristais grandes, transparentes, cujo processo de refinamento retira aproximadamente 90% das vitaminas e minerais; b) acar demerara: com refinamento leve, sem aditivo qumico, apresenta gros marrom-claros, contm alto valor nutricional semelhana do acar mascavo; a melhor escolha do acar demerara em sua forma orgnica, por manter todos os nutrientes sem a adio de defensivos agrcolas; c) acar mascavo: forma mais bruta de extrao do acar da cana-de-acar aps o cozimento do caldo de cana; no passa por qualquer tipo de refinamento, apresenta colorao mais escura e sabor mais encorpado, semelhante ao da cana-de-acar (lembra rapadura); sem qualquer refinamento, as vitaminas e os minerais como clcio, ferro, zinco, magnsio e potssio so preservados; d) acar de coco: substitui o acar de cana; extrado do fluido das flores da palma de coco, no passa por refinamento ou adulterao; isento de conservantes e possui alta quantidade de potssio, magnsio, zinco, ferro e vitaminas B1, B2, B3 e B6, com baixo ndice glicmico, tem digesto lenta; e) acar light, ou acar fit, acar magro, composto de uma mistura do acar refinado comum e adoantes artificiais (como sucralose, ciclamato de sdio e sacarina sdica); menos calrico que o acar comum (menor teor de sacarose), deve ser consumido com cautela; contem menor teor de sacarose em comparao com outros acares, no contm nutrientes nem considerado um alimento saudvel, pode ser consumido por indivduos com diabetes (tipos 1 ou 2) em uma alimentao equilibrada e saudvel, observando-se as recomendaes do nutricionista ou mdico e atentando-se para os sintomas clnicos e exames laboratoriais.

O acar amplamente utilizado para realar o sabor dos alimentos, mas o uso frequente e sem controle desse componente pode estar associado origem de srios problemas de sade, obesidade e diabetes (Brasil, 2014). Embora o organismo humano necessite de acar (a glicose um de seus componentes), tm-se outras formas mais saudveis e nutritivas de se consumir glicose que no seja por meio de acar comum: os prprios alimentos j contm doses naturais desse elemento em sua composio, de forma a constituir uma alimentao equilibrada e saudvel com dosagem adequada do produto (Torrezan; Neves; Reis, 2017).

Biologicamente, o ser humano preparado para preferir o sabor doce. Essa preferncia foi importante para a evoluo humana, pois favoreceu o aleitamento materno no recm-nascido e o consumo posterior de frutas (Frana, 2016, p. 6), enquanto a rejeio ao sabor amargo, normalmente associada toxicidade, seria um fator de proteo. Com a industrializao ea globalizao, porm, a oferta de acares livres (especialmente a sacarose) alcanou nveis alarmantemente grandes.

Consumidos na infncia, o acar ou os produtos aucarados so mais problemticos porque, em crianas, o elevado consumo de bebidas adicionadas de acar provoca o deslocamento do consumo de outros alimentos, com repercusso importante na qualidade da dieta e no padro alimentar do indivduo por toda a vida (Brasil, 2014, p. 92). Alguns fatores tm influenciado esse consumo, tais como a modernizao da agricultura e a industrializao dos alimentos, que impactaram fortemente a composio da dieta que passou a apresentar baixos teores de fibras, vitaminas e minerais, como magnsio e potssio, ao mesmo tempo em que aumentou o teor de gordura saturada, acares simples e sdio (Brasil, 2016, p. 13). A exposio na mdia e as grandes redes de supermercados tambm entram como fatores que estimulam esse consumo por facilitar o acesso a alimentos pr-cozidos aucarados e gordurosos. Seria mais interessante estimular o consumo de alimentos in natura em detrimento de alimentos elaborados ou industrializados com adio de acar e conservantes em suas composies. Por outro lado, a ingesto excessiva de acar em crianas costuma vir associada ao reduzido consumo de clcio, das vitaminas A e E, de frutas e hortalias, cereais e tubrculos, gros, leites e iogurtes, que so elementos importantes na dieta alimentar (Brasil, 2014a, 2016).

No passado, o acar j foi considerado um heri. Desde o sculo XV, era usado na formulao de remdios, especialmente aqueles que se originavam de extratos de plantas e de conservas de frutas. Caparica (2010, p. 62) menciona, como exemplo, a produo, na Ilha da Madeira do sculo XVI, de casquinhas cristalizadas produzidas com tirinhas de frutas ctricas recobertas por acar para combater o escorbuto, uma doena muito presente nas embarcaes da poca das grandes navegaes e descobrimentos martimos.

A dieta alimentar tem seguido modismos, ou por novos produtos alimentcios geralmente enriquecidos com muita propaganda com o intuito de influenciar gosto e paladar. A conscincia popular na atualidade, porm, tem alterado esta influncia, e o foco do consumo de alimentos tem-se voltado para a conquista e manuteno da sade, a despeito do incentivo ao consumo de determinados produtos alimentcios veiculados pelo marketing da indstria alimentar que v, na criana, um potencial consumidor cada vez mais atento e influente na deciso de compra dos pais. Com base no que veem nos comerciais, ou por influncia de amigos, principalmente as crianas so induzidas a crer que os alimentos ultraprocessados (como fast food), muitos deles fortemente aucarados (como chocolates), tm mais qualidade e tornam as pessoas mais felizes, fortes, atraentes e socialmente aceitas (Brasil, 2014b). A induo ao consumo excessivo desse tipo de alimento faz com que especialmente as crianas comecem cada vez mais cedo um hbito alimentar incorreto, que pode acarretar doenas e comorbidades (Ceccatto et al., 2018, p. 143).

Morais e Sperandio (2020, p. 35) registraram um aumento significativo do consumo de alimentos ultraprocessados [compostos predominantemente de acar, leos, gorduras e sal, antioxidantes, estabilizantes e conservantes], sobretudo, de embutidos, bebidas aucaradas, doces, chocolates, sorvetes e refeies prontas, alm da reduo do consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como o feijo e o leite (grifos nossos). Insta ressaltar que o acar presente nos alimentos ultraprocessados aparece rotulado como acar, acar simples, acar invertido, sacarose, frutose, glicose, glucose de milho, xarope de malte e de milho, dextrose e/ou maltodextrina; assim, muitas vezes confunde o consumidor que desconhece a real informao nutricional e, sem conhecimento, acaba por consumir o alimento (Brasil, 2014b). Brasil (2016, p. 74) exemplifica os chocolates: o branco feito basicamente de manteiga de cacau, leite e acar, e no apresenta cacau, sendo este o tipo com maior teor de gordura saturada, acar e calorias; o chocolate ao leite tem alto valor calrico, grandes quantidades de gorduras saturadas e acar; os chocolates meio amargos e amargos contem menor poro de leite, gordura e acar e maior quantidade de cacau, maiores teores de substncias antioxidantes e menor valor energtico, quando comparados ao chocolate ao leite.

O excessivo consumo de acar est entre os principais fatores que estimulam o desenvolvimento de doenas (como obesidade e diabetes) que poderiam ser evitadas ou controladas com a simples mudana de hbitos dietticos. A obesidade fator de risco sade da populao para o desenvolvimento de diversas outras doenas ou comorbidades como diabetes tipo 2, doenas cardiovasculares, cnceres, entre outras (Almeida; Guerra, 2022). Segundo Ferreira et al. (2021), no Brasil, entre 2013 e 2019, houve tendncias temporais de crescimento nas prevalncias de obesidade na populao brasileira: para os homens e para as mulheres: de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019; na prevalncia de excesso de peso, de 42,6 para 55,4%.

Estimativas recentes sobre frequncia e distribuio sociodemogrfica de fatores de risco e proteo para doenas crnicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, em 2023, reportam que a frequncia do consumo de refrigerantes (5u mais dias/semana) atingiu 14,9% (16,8% para homens e 13,2% para mulheres), sendo menor entre os indivduos mais velhos. A presena de diabetes foi de 10,2%, maior entre as mulheres (11,1%) do que entre os homens (9,1%); em ambos os sexos, essa condio aumentou intensamente com a idade e diminuiu com o nvel de escolaridade. A ingesto de acares tem aumentado, assim como a ingesto total de energia, o que possibilita a reduo na ingesto de alimentos contendo calorias mais adequada. Considere-se, ainda, que os padres de consumo de bebidas aucaradas so particularmente preocupantes, porque promovem ganho de peso (obesidade) pela compensao incompleta de calorias lquidas nas refeies e tendem a aumentar o risco de diabetes, doenas cardacas crnicas e outras doenas o que faz acender o sinal de alerta para adoo de medidas urgentes a fim de deter o aumento progressivo dessas doenas (Brasil, 2023).

As mudanas nos padres alimentares, todavia, parecem acompanhar uma tendncia global no sentido de uma alimentao cada vez mais rica em fontes de energia (carboidratos) e calorias, protenas, vitaminas e sais minerais (clcio, fsforo, ferro, cloro, potssio, sdio, magnsio), uma vez que os produtos ultraprocessados no substituem alimentos in natura ou minimamente processados como pes e peixes enlatados (Brasil, 2014b). O acar no escapa a essas mudanas: seu consumo, considerado um dos maiores riscos sade de crianas, jovens e idosos, passa a ser um grande desafio de sade pblica do sculo atual, como um dos fatores que interferem no balano energtico do metabolismo de uma pessoa, no estilo de vida, estresse, sono, fatores genticos, disruptores endcrinos e outros. O acar est na base de induo da obesidade que, habitualmente, confere pessoa obesa discriminao e preconceito na vida pessoal e em ambiente de trabalho, favorecendo o aparecimento de transtornos ou distrbios psicolgicos, tais como ansiedade, depresso, transtornos alimentares, baixa autoestima, sentimentos inespecficos de tenso e imagem corporal distorcida (Almeida; Guerra, 2022; Frana et al., 2012). Os fatores psicolgicos ativam e retroalimentam o comportamento alimentar compulsivo e levam a pessoa a desenvolver sentimentos de autodesprezo, repulsa forma corporal, preocupao e baixa qualidade de vida.

Como o acar fonte de carboidratos, recomenda-se uma ingesto inferior a 10% do valor energtico total (VET), pois tem alta densidade energtica e rpida digesto no estmago. pertinente desestimular o emprego do acar em preparaes e orientar para o consumo moderado de doces em geral, biscoitos, coberturas de bolos e em bebidas aucaradas como refrigerantes e refrescos artificiais (Brasil, 2014a, p. 92), sendo recomendvel consumir sucos naturais sem ou com quantidades mnimas de acar (Brasil 2016). A OMS considera como comprovado o efeito nocivo da ingesto elevada do acar na dieta, porque aumenta a densidade energtica e o balano energtico positivo, reduz os mecanismos de controle do apetite, especialmente no caso de bebidas, e desenvolve possibilidades de cries dentrias e diabetes (Brasil, 2014a). Em relao s orientaes baseadas em evidncias, uma das maiores dificuldades do controle da ingesto de acar recai na presso externa promovida pela mdia e pelas grandes empresas alimentcias: Promover uma alimentao saudvel em uma sociedade que tem ampla oferta de produtos prejudiciais com forte apelo comercial um grande desafio. Sua superao vai exigir de todos [...] uma postura crtica e criativa (Frana, 2016, p. 7).

Pelas recomendaes de Brasil (2016. p. 109), o acar deve ser consumido com moderao devido ao seu alto valor calrico, tendo 5 a 10 vezes mais calorias por grama do que a maioria das frutas. Deve ser utilizado na culinria tendo por base alimentos in natura ou minimamente processados, j que, dessa forma, se pode diversificar e produzir uma alimentao mais saborosa, sem torn-la nutricionalmente desbalanceada. Caso sejam usados produtos processados, preferir aqueles com menor processamento, pois preservam melhor suas caractersticas e apresentam menores quantidades de aditivos qumicos. Para diabticos, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, 2019) recomenda evitar acares refinados de rpida absoro, visto que elevam rapidamente a glicemia, embora a sacarose no aumente mais a glicemia do que outros carboidratos, caso seja ingerida na mesma quantidade. Uma dieta saudvel, com glicemia controlada, no deve ultrapassar 10% das calorias ingeridas durante o dia. Uma das formas para diminuir a carga glicmica reduzir o consumo de carboidratos e associar seu consumo com a ingesto de alimentos fontes de fibras, protenas ou gorduras de boa qualidade.

Para Lima (2015, p. 76), o trabalho do psiclogo diante de um portador de diabete consiste em manter uma boa relao mdico-paciente. normal a ocorrncia de angstia e desespero diante do pouco controle de sua vida e de seus familiares, que tendem a enfrentar momentos de incerteza e descrena, entremeados por aceitao, perseverana, otimismo e esperana, que envolvem aspectos emocionais, afetivos, psicolgicos, sociais, culturais e espirituais. O atendimento psicolgico prestado tanto ao doente quanto sua famlia, com acompanhamento desde o diagnstico e durante o tratamento, provendo assistncia e suporte na evoluo da doena, uma vez que comum a presena de instabilidade emocional vivida pelo paciente com reflexos na famlia. O acompanhamento psicolgico permitir identificar e tratar a ansiedade, depresso, desajustes sociais, isolamento social e outros transtornos apresentados por alguns pacientes no curso do tratamento do diabete.

Morais, Sperandio e Priore (2020, p. 41) advertem que, nos ltimos anos tem aumentado o consumo de alimentos ultraprocessados compostos predominantemente de acar, leos, gorduras e sal, alm de antioxidantes, estabilizantes e conservantes, o que preocupa os defensores da alimentao saudvel devido aos comprovados riscos que esses produtos trazem sade da populao.

Neste sentido, o Brasil tem-se empenhado em deter o avano do diabete por meio da conscientizao de boas prticas alimentares, como reduo e controle do consumo de bebidas aucaradas, diminuio do consumo de alimentos ultraprocessados, aumento do consumo de frutas e hortalias e estmulo prtica de atividade fsica. Para realizar esse compromisso, o pas tem-se dedicado a mudar suas polticas de alimentao adotando estratgias como: solicitar a adio de micronutrientes aos alimentos industrializados, taxar impostos sobre bebidas aucaradas, biscoitos recheados e outros alimentos ultraprocessados, exigir a colocao de rtulos advertindo sobre os efeitos nocivos do acar sade e restringir a publicidade a alimentos no saudveis, em especial aqueles produzidos base de acares (Ferreira et al., 2021).

A OMS sugere a formulao peridica de diretrizes nacionais sobre alimentao e nutrio, considerando possveis mudanas nos hbitos alimentares e nas condies de sade da populao e o progresso no conhecimento cientfico da rea. Prope que tais diretrizes apoiem a educao alimentar e nutricional e subsidiem polticas e programas nacionais de alimentao e nutrio, gerando mudanas no padro alimentar quanto ao consumo de preparaes culinrias e aquisio de produtos ultraprocessados e, em particular, bebidas aucaradas, doces, chocolates, sorvetes e refeies prontas; incentiva o aumento do consumo de alimentos in natura, como folhas, frutos, ovos, leite e feijo, ou minimamente processados nas preparaes culinrias, como conservas de legumes, frutas em calda, queijos e pes feitos com farinha de trigo, gua e sal (Martins et al., 2013).

Como o emprego excessivo de acar na composio alimentar pode ensejar o desenvolvimento de transtornos psicolgicos, o indivduo pode registrar comportamentos disfuncionais relacionados alimentao, que prejudicam a sade fsica e o funcionamento psicossocial. Diante de transtornos psicolgicos, ao psiclogo cabe o papel de implementar tcnicas que promovam adeso ao tratamento adequado prescrito pela equipe multidisciplinar que atende o paciente. seu papel buscar proporcionar a melhora do distrbio de imagem corporal, ensinar o controle dos episdios de compulso alimentar e mtodos compensatrios: incentivar aumento da autoestima, de forma a ampliar e melhorar suas relaes interpessoais, lidar com emoes intensas e auxiliar a modificar o sistema de crenas associadas ao desenvolvimento e manuteno dos quadros clnicos adversos (Duchesne; Campos; Pereira, 2019).

Os transtornos mentais so marcados pela insnia, irritabilidade, fadiga, queixas somticas (cefaleia), falta de apetite ou (contraditoriamente) compulso alimentar, tremores, m digesto, dentre outros, e trazem impactos negativos nos relacionamento e na qualidade de vida (Sousa et al., 2021). Em geral, uma dieta desbalanceada, por foa de sugestes externas (mdia, exposio pontos de venda etc.), ou pelo consumo habitual, contempla refeies ricas em energia, acares de adio (e sdio), acrescidas de lanches contendo produtos ultraprocessados como fast foods, bolos, tortas e bebidas aucaradas, enquanto relega a ingesto de frutas e legumes in natura ou minimamente processados. Nesta circunstncia, o psiclogo atua para estimular a reduo da ingesto de acares, principalmente os livres atitude que favorece a sade dentria, a autoestima, reduz a ocorrncia do diabete outras doenas, bem como protege contra a ansiedade, depresso, distoro da imagem corporal e outros distrbios. A atuao do psiclogo se reveste de capital importncia no apoio e orientao famlia, em especial s crianas (o que pode ser feito pela equipe que atua na Estratgia Sade da Famlia ESF, escolas e creches), de forma a se adaptarem aos rituais alimentares funcionais e no se envolveram em dinmicas que oportunizam transtornos (Jasmim; Queluci, 2018). Se a dieta alimentar se compuser de baixos teores de fibras, vitaminas e minerais, como magnsio e potssio, e, simultaneamente, aumentado o teor de gordura saturada, acares simples e sdio, interessante que se estimule o consumo de alimentos in natura em detrimento do uso de uma dieta pobre de nutrientes (Brasil, 2016).

Brasil (2014b, p. 22) destaca, porm, que aos consumidores deve ser assegurada autonomia para fazer melhores escolhas para sua vida, reflitam sobre as situaes cotidianas, busquem mudanas em si prprios e no ambiente onde vivem, contribuam para a garantia da segurana alimentar e nutricional para todos e exijam o cumprimento do direito humano alimentao adequada e saudvel. Carvalho (2006, p. 173) lembra, porm, que, se a a humanidade quiser se livrar das vergonhosas epidemias de crie dentria, obesidade, hipertenso, diabetes etc., ter que deter o avano da ditadura do acar e jogar no lixo esse corpo estranho, doce e nocivo. Com aucareiro e tudo!

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* Nota: Originalmente, este artigo foi produzido para desvelar os malefcios que o consumo excessivo de acar, no controlado, produz ao organismo humano. Posterior e adicionalmente, o artigo buscou lembrar o dia 14 de novembro como o Dia Mundial do Combate a Diabetes.

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