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Algoritmo: a ferramenta que faz o internauta se sentir perseguido - regiaonoroeste.com
Quarta, 31 de Maio de 2023

Algoritmo: a ferramenta que faz o internauta se sentir perseguido

29/03/2023 as 10:00 | Brasil | Agncia Brasil
Quem usa as redes sociais j deve ter se sentido perseguido por um assunto, uma propaganda ou at por sugestes de filmes para assistir. O responsvel tem nome: algoritmo. ele quem diz ao mundo digital o que nos dizer. Trata-se de uma ferramenta matemtica que percebe e reorganiza os contedos semelhantes aos acessados pelas pessoas.

De acordo com a pesquisadora do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Cincia da Universidade Federal de So Paulo (Unesp), Jade Percassi, o algoritmo registra as informaes dos internautas.

Ele guarda os dados de acesso toda vez que a pessoa est logada, [dessa forma] ela est de alguma maneira veiculada a um perfil de acesso seja no Google, seja em outra plataforma, YouTube, Facebook ou Twitter, explica.

Segundo Percassi, a ferramenta organiza o comportamento e entrega o contedo mais preciso e do interesse do usurio, como dicas de filmes e produtos. No entanto, os dados gerados nem sempre so individualizados e podem criar uma massa de informaes chamada de Big Data.

A mquina opera por inteligncia artificial, mas tem pessoas que fazem a moderao, que podem gerar distores na entrega do que vai ser acessado, e isso acontece por vrias razes [diferentes], esclarece.

A variao da ferramenta pode ser econmica, quando empresas se favorecem das informaes sobre o comportamento, perfil e renda para direcionar propagandas a determinados nichos de mercados. No campo das ideias, o que aparenta ser um lugar aberto, de debate pblico, plural e democrtico, se torna cada vez mais segmentado com pessoas recebendo contedo parecido com aquilo que elas mesmas j pensam.

As pessoas que tm um perfil ideolgico mais de esquerda vo receber um reforo daquilo que elas pensam, disse. As pessoas com um comportamento identificado mais de direita, vo receber o reforo de ideias ou de perfis que correspondem aquilo que elas j pensam, aprofundando, potencializando uma polarizao poltica da sociedade, acrescentou.

Uso indevido
De acordo com a pesquisadora, o uso de forma indevida e a comercializao das informaes podem levar a distores maiores, como j foram desvendados no caso da Cambridge Analytica, acusada de vazar dados de 50 milhes de usurios do Facebook. As informaes foram capturadas a partir de um aplicativo de teste psicolgico. No Brasil, a pesquisadora citou a criao do gabinete do dio, milcia digital antidemocrtica disseminadora de fake news.

Jade Percassi tambm alerta para a existncia de outras distores reforadas pelo comportamento algortmico presentes na nossa sociedade. Entre eles, destacam-se padres de beleza reforados por conta do maior acesso a perfis de pessoas magras e brancas em relao aos de gordas e negras. Alm de pginas nudez, levando tambm para a possibilidade de uma sexualizao maior. Tem todas essas ciladas colocadas e a gente no tem nenhum tipo de moderao, diz.

A pesquisadora ressalta que as grandes empresas so as proprietrias das plataformas e que, apesar do acesso gratuito, informaes pessoais tm valor.

A gente no pode ter iluses. Apesar do acesso ser gratuito, estamos entregando algo de muito valor, que so nossos dados, disse. Voc no paga com dinheiro, mas com seus dados sobre quem voc e sobre o tipo de comportamento que voc tem.

Marco Civil da Internet
Nesta quarta-feira (29), o Supremo Tribunal Federal (STF) continua discusso sobre as regras do Marco Civil da Internet. O debate foi convocado pelos ministros Dias Toffoli e Luiz Fux, relatores de aes que tratam da responsabilidade de provedores na remoo de contedos com desinformao, disseminao de discurso de dio de forma extrajudicial, sem determinao expressa pela Justia.

No primeiro dia de discusso, ministros da Corte e de Estado se revezaram na defesa da regulao das redes sociais, com algum grau de responsabilizao das empresas que as ofertam ao pblico.

De outro lado, advogados de bigtechs como Google e Meta donas de redes e aplicativos como YouTube, Instagram, Facebook e WhatsApp contestaram a iniciativa, argumentando que isso no garantir uma internet mais segura no Brasil. Eles defenderam que um ambiente digital mais saudvel poder ser alcanado com o aprimoramento da autorregulao j existente.

As discusses englobam tambm os projetos de lei que tramitam no Congresso para regular as redes sociais e a proteo da democracia no ambiente digital. Tais iniciativas, principalmente o chamado Projeto de Lei (PL) das Fake News, ganharam impulso aps os atos golpistas de 8 de janeiro, em Braslia.
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