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Domingo, 26 de Marco de 2023

Undime v como positivo aumento de matrculas na educao infantil

09/02/2023 as 10:00 | Brasil | Agncia Brasil
Depois de um perodo agudo da pandemia de covid-19 que "ampliou o fosso da desigualdade" no acesso s creches e pr-escolas, o presidente da Unio Nacional dos Dirigentes Municipais de Educao (Undime), Luiz Miguel Garcia, v como positivo o aumento de matrculas apontado no ltimo Censo Escolar, divulgado hoje (8). Dirigente Municipal de Educao da cidade de Sud Mennucci, em So Paulo, Garcia pondera, no entanto, que preciso garantir que essa retomada reduza disparidades e garanta vagas de qualidade.

"O retorno do nmero de matrculas muito animador, positivo e desafiador e mostra que a educao continua sendo uma preocupao das famlias em todos os estratos sociais. O que a gente precisa diminuir esse fosso de desigualdade e garantir que famlias de crianas pretas, pobres e perifricas tenham acesso creche, e que esse acesso seja prximo a suas residncias, respeitando a sua cultura e respeitando as condies fsicas de uma criana, que no pode ter um deslocamento to grande que a deixe cansada e debilitada."

Garcia avalia que o Brasil passou um longo perodo sem uma poltica efetiva e criteriosa de gerao de vagas em creches, e o governo federal agora precisa apoiar a gerao de vagas prximas s famlias mais vulnerveis, uma vez que as desigualdades foram agravadas pela pandemia de covid-19. Esse acirramento, aponta ele, tem a ver com o aumento da informalidade no mercado de trabalho.

"O trabalho informal no permite planejamento e organizao, o que implica na quebra da rotina da criana e, para o aprendizado infantil, muito importante", explica. "Mesmo havendo vagas, muitas vezes ela no consegue levar a criana at a escola. E esse movimento acaba fazendo com que a criana acompanhe e v ao trabalho com a me na rua, em trabalhos domsticos que permitem, e ficando fora da escola. Essa uma forma de excluso".

Pr-escola
Uma pesquisa realizada pela Fundao Maria Cecilia Souto Vidigal em parceria com o Fundo das Naes Unidas para a Infncia (Unicef) e a Undime mostrou que, em 2019, a frequncia escolar na pr-escola de crianas brancas e amarelas chegava a 93,5%, enquanto a de pretas, pardas e indgenas era de 91,9%. As crianas pobres tambm eram mais desfavorecidas: a frequncia delas era de 92%, enquanto, nas outras faixas de renda, a mdia era de 94,8%.

Fatores que indicam vulnerabilidade social da me tambm afetam a frequncia escolar na pr-escola, segundo a pesquisa: filhos de mulheres que se tornaram mes com menos de 20 anos, menos escolarizadas e com trabalhos informais tm menor frequncia na pr-escola, em mdia.

Para a CEO da Fundao, Mariana Luz, "isso indica que o problema no exclusivo no acesso educao, mas tambm de emancipao das mulheres e dos negros, alm da quebra de ciclos intergeracionais de pobreza".

Retomada
O Censo Escolar de 2022 mostra que as matrculas em creches, que haviam recuado entre 2019 e 2021, cresceram no ano passado. Em comparao com o ano anterior, o aumento foi de 8,9% na rede pblica e de 29,9% na rede privada de ensino, ultrapassando os ndices observados no perodo pr-pandemia em ambas as redes. Tambm houve aumento na pr-escola, e, na educao bsica como um todo, foram registrados 47,4 milhes de estudantes 714 mil alunos a mais que em 2021.

As entidades responsveis pela pesquisa sobre desigualdade no acesso pr-escola apontam que os gestores municipais devem planejar a expanso de vagas, com especial ateno aos pblicos mais vulnerveis identificados neste estudo; identificar e localizar as crianas que no esto matriculadas na pr-escola, utilizando estratgias como a busca ativa escolar; e sensibilizar as famlias para a importncia da Educao Infantil;

Tambm so consideradas necessrias aes intersetoriais, integrando sade, assistncia social e educao na promoo do direito pr-escola. Os gestores devem ainda buscar apoio de polticas estaduais e federais.

Ao divulgar a pesquisa, a Oficial de Primeira Infncia do UNICEF no Brasil, Mara Souza, reforou que crianas pretas e pobres so historicamente mais vulnerabilizadas no Brasil.

"As crianas pretas e pobres que no frequentam a pr-escola tm menos acesso a estmulos, interaes, alimentao e segurana. Isso pode comprometer o desenvolvimento, impactar a progresso e a transio para as etapas de ensino sequentes, alm de reproduzir desigualdades que atrasam o nosso pas".
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