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Terca, 21 de Marco de 2023

Uso de cmeras em uniformes de PMs pode ser expandido, diz secretrio

28/01/2023 as 11:22 | Estado de So Paulo | Agncia Brasil
O secretrio de Segurana Pblica de So Paulo, Guilherme Derrite, voltou a dizer hoje (27) que no pretende retirar as bodycams, cmeras que so acopladas aos uniformes dos policiais militares de So Paulo. Em entrevista no incio da tarde de hoje (27), o secretrio falou que a inteno expandir o seu uso para outras funcionalidades, alm da funo de monitorar as aes policiais para evitar o uso de violncia.

No vamos acabar com o programa. Queremos e daremos uma funcionalidade mais operacional para elas, falou Derrite, citando que as cmeras poderiam ser utilizadas tambm para fazer leitura de placas roubadas em veculos e at em georreferenciamento, contribuindo para aes da polcia ambiental em matas fechadas, por exemplo. Esse o sentido de ampliar, no de acabar [com as cmeras corporais]. Isso [de acabar] no ser feito. Mas o que queremos usar essa ferramenta, importante para fiscalizao e controle como algo operacional para ajudar a proteger as pessoas, disse o secretrio.

No incio deste ano, em entrevista a uma rdio do interior paulista, o secretrio havia falado que iria rever o uso das cmeras por policiais. A fala do secretrio, na poca, gerou preocupao no governo federal, que soltou uma nota para defender o uso do equipamento. Um dia depois dessa fala do secretrio, o governador de So Paulo, Tarcsio de Freitas, negou que as cmeras seriam retiradas. "Nesse primeiro momento, nada muda, no vamos alterar nada. Ao longo do tempo, vamos observar e reavaliar, o que faremos com qualquer outra poltica", disse o governador poca.

As cmeras operacionais portteis, conhecidas como cmeras corporais, comearam a ser utilizadas pela Polcia Militar paulista em 2020. Essas cmeras de lapela so fixadas nos uniformes dos policiais para que suas aes nas ruas de So Paulo sejam monitoradas. O objetivo do governo paulista ao instal-las nos uniformes foi de buscar reduzir a violncia policial.

O uso dessas cmeras tem contribudo para diminuir a letalidade policial, ou seja, para a queda no nmero de mortes ocorridas durante aes policiais. Isso o que apontou, por exemplo, um estudo da Fundao Getulio Vargas (FGV), divulgado no final do ano passado. Segundo os dados, o uso das cmeras evitou 104 mortes e teve um impacto positivo, ajudando a reduzir em 57% o nmero de mortes decorrentes de aes policiais.

O prprio secretrio admitiu hoje que a queda na letalidade policial, que ele prefere chamar de letalidade criminosa, pode ter sido provocada, em parte, pelo uso das cmeras. Ele tambm destacou a importncia do aprimoramento das aes policiais, da formao policial e do treinamento dos agentes como fatores para a queda nesse indicador.

Dados divulgados ontem pela Secretaria de Segurana Pblica mostram que 256 pessoas morreram em confrontos com policiais militares em servio durante todo o ano de 2022. Esse nmero vem caindo nos ltimos anos e j o menor registrado no estado desde 2001, quando teve incio a srie histrica. Em 2021, foram computadas 423 mortes em decorrncia de aes policiais; em 2020, foram 659 mortes; e, em 2019, um ano antes da pandemia do novo coronavrus, houve 716 mortes ocorridas em aes envolvendo policiais em servio.

J entre os policiais militares de folga, houve aumento da letalidade. As mortes envolvendo policiais militares de folga subiram de 120 para 126 de 2021 para 2022.

Somadas as mortes envolvendo policiais em servio e em folga, o estado contabilizou um total de 382 casos no ano passado, o que representou queda de quase 30% em relao a 2021 e de pouco mais de 50% em relao a 2020.

Segundo o secretrio, a letalidade em aes policiais dever continuar caindo no estado porque o governo tem desestimulado o confronto. O que vocs chamam de letalidade policial, eu chamo de letalidade criminal porque o policial sempre a primeira vtima. ele quem recebe o primeiro disparo. Nosso compromisso no estimular o confronto. Nos preocupamos e muito com qualquer tipo de homicdio. Se na minha gesto pudesse no ter nenhum confronto, seria o cenrio ideal para a gente. Medidas esto sendo estudadas e analisadas para isso, destacou ele.

Derrite defendeu a necessidade de que sejam feitos estudos para analisar a quantidade de policiais que morrem a cada ano no pas. Fala-se muito em letalidade policial, mas ningum faz um estudo especfico sobre quantos policiais morrem no Brasil. E lamentavelmente somos hoje o pas onde mais se morrem agentes de segurana pblica no mundo, falou.

Criminalidade
Ontem, a Secretaria de Segurana Pblica divulgou dados sobre criminalidade que mostram que So Paulo encerrou o ano de 2022 com aumento no nmero de casos de homicdios dolosos (intencionais), estupros e furtos em geral.

Em entrevista hoje, o secretrio disse que esses nmeros apresentados geram preocupao. um cenrio com o nmero de furtos, furtos de veculos, roubos e roubos de veculos com tendncia acentuada, crescendo. Diante disso, em breve apresentaremos os resultados das estratgias que estamos adotando para que esses nmeros, alm de pararem de ter uma curva de crescimento, possam diminuir.

Uma dessas estratgias pretende focar especialmente no aumento dos crimes de extorso mediante sequestro. O Pix [modalidade de pagamento eletrnico] foi uma ferramenta criada pelo governo federal que ajudou muito a vida da populao em geral, mas com isso a criminalidade se aproveitou do avano tecnolgico para utilizar isso como ferramenta de cometimento de delito. Em boa parte desses delitos, a vtima se encontra em situao de vulnerabilidade porque h um percentual muito grande de sequestros via Pix que acontecem por meio de sites de relacionamentos, disse ele.

Por causa disso, disse Derrite, a secretaria comeou hoje a fazer reunies com o objetivo de traar estratgias para prevenir esse tipo de crime. Um pouco antes de vir para c eu estava no Centro Integrado de Comando e Controle da Secretaria de Segurana conversando com instituies bancrias e digitais, contou. Essa reunio foi a primeira e vo ocorrer outras. Vamos criar um grupo de trabalho e adotar um fluxograma de informaes para combater e coibir esse tipo de delito. Fizemos uma primeira reunio com instituies bancrias. Uma segunda reunio ser feita com sites de relacionamentos, informou.

Arrasto em bares
Durante a coletiva, o secretrio tambm comentou sobre outro tipo de crime que tem crescido no estado paulista: os arrastes dentro de bares e restaurantes. Nesta semana, por exemplo, clientes e funcionrios de um bar no bairro de Santa Ceclia, regio central da capital paulista, tiveram seus pertences pessoais, como bolsas e celulares, roubados.

Segundo o secretrio, a polcia j vem adotando aes para tentar coibir esse crime. No entanto, esbarra com um problema: a defasagem do efetivo policial no estado. Estamos trabalhando com defasagem de cerca de 15% do efetivo da Polcia Militar e quando falo isso, trata-se de 10 mil homens; de 25% da polcia tcnico-cientfica; e de quase 33% da Polcia Civil. Ento, quando falamos em reforar o policiamento, a Polcia Militar tem mecanismos e estratgias para verificar as manchas criminais e fazer deslocamento de policiamento para coibir esses delitos. Porm, com a defasagem de efetivo, no conseguimos evitar que todos esses crimes cessem de uma hora para outra, disse ele.

Estamos deslocando um efetivo do Dejem [Diria Especial por Jornada Extraordinria de Trabalho], que uma atividade na qual o policial militar na folga dele cumpre oito horas de servio, para esses locais que esto apresentando vulnerabilidade um pouco maior, em especial, esses roubos em bares e restaurantes no s em Santa Ceclia, como outros da capital, disse Derrite. J sobre a defasagem, ele ressaltou que j foi publicada em Dirio Oficial a nomeao de 878 novos soldados e h tambm um concurso da Polcia Civil em andamento.
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