Secretrio defende retirada de garimpeiros da terra yanomami - regiaonoroeste.com
Quinta, 09 de Fevereiro de 2023

Secretrio defende retirada de garimpeiros da terra yanomami

24/01/2023 as 14:01 | Brasil | Agncia Brasil
Aps visitar trs comunidades do territrio yanomami e passar quatro dias em Boa Vista, para onde centenas de adultos e crianas da etnia foram transferidos a fim de receber atendimento mdico adequado, o secretrio nacional de Sade Indgena, Ricardo Weibe Tapeba, afirmou que os cerca de 30,4 mil moradores da Terra Indgena Yanomami esto merc do crime organizado.

Referindo-se presena ilegal de cerca de 20 mil garimpeiros que, com sua atividade, poluem os rios da regio e destroem parte da Floresta Amaznica, alm de disseminar vrias doenas entre os indgenas, Weibe Tapeba contou a jornalistas que os invasores da maior reserva de usufruto indgena do pas no se intimidam nem mesmo com a presena de militares fortemente armados.

Nos ltimos dias, visitamos trs comunidades. Em duas delas fomos entregar alimentos. S foi possvel chegarmos a essas localidades graas presena das Foras Armadas, contou Weibe Tapeba, defendendo a importncia de os rgos pblicos se unirem para retirar os no ndios do interior da terra indgena e para adotar medidas que impeam o retorno dos garimpeiros rea.

Precisamos implementar um plano de desintruso do territrio, afirmou o secretrio nacional, lembrando que j h uma determinao do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2020, para que o governo federal remova todos os invasores de sete terras indgenas do pas, incluindo o territrio yanomami. A medida, que o ministro Lus Roberto Barroso, do STF, chegou a classificar como imperativa, imprescindvel e um dever da Unio, se aplica tambm a madeireiros que extraem recursos florestais da reserva.

[Ao visitar as comunidades], descemos dentro do garimpo, que praticamente invadiu as aldeias. As comunidades esto merc do crime organizado. E no digo garimpeiros, mas sim crime organizado, porque h muitas pessoas armadas, coagindo [os ndios] e sem se intimidar com a presena das Foras Armadas, disse Weibe Tapeba.

Irregularidades
Ao conversar com jornalistas, esta manh, em Boa Vista, Weibe Tapeba comparou a um cenrio de guerra a situao que os yanomami enfrentam em seu territrio. Pudemos perceber o estado de degradao em que o povo yanomami tem vivido. O estado de calamidade no territrio. um cenrio de guerra. E a nossa unidade de sade indgena, nosso polo-base de Surucucu, assim como a nossa Casa de Apoio Sade Indgena [Casai] aqui em Boa vista, so praticamente campos de concentrao.

O secretrio tambm revelou que as equipes que o Ministrio da Sade enviou de Braslia a Roraima esto produzindo um relatrio que ser entregue ministra Nsia Trindade, com os principais problemas identificados e sugestes. Neste trabalho, segundo Weibe Tapeba, os tcnicos da pasta afirmam ter se deparado com indcios de possveis irregularidades em contratos.

Conseguimos identificar algumas fragilidades e indcios de irregularidades em alguns contratos. Pretendemos implantar uma auditoria interna para acompanhar esta questo, revelou Weibe Tapeba, enfatizando que, por ora, s h suspeitas. O fato que um absurdo pensarmos na possibilidade de desvio de recursos para medicamentos, mas tambm estamos acompanhando um cenrio bem complicado em relao contratao de horas/voo, que o principal contrato, a principal ao que temos realizado no territrio yanomami, acrescentou o secretrio, explicando que, em funo da dificuldade de acesso e distncia, a contratao de voos necessria tanto para transporte de servidores e indgenas, quanto de suprimentos.

Mas j estamos elaborando um plano estratgico que vai desde a parte da infraestrutura logstica, at o aperfeioamento de contratos de servios continuados. No podemos sequer pensar em paralisar estes servios, comentou Weibe Tapeba, criticando o que classificou como o aparelhamento dos distritos sanitrios especiais indgenas pelo militarismo durante o governo anterior. O militarismo aparelhado dentro da sade indgena representa muito atraso e precisamos resolver isso, finalizou o secretrio, alegando que o governo federal est acelerando a exonerao de muitos dos coordenadores que permanecem em seus cargos.
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