Mulher carbonizada com as filhas nunca relatou problemas com marido - regiaonoroeste.com
Sexta, 29 de Setembro de 2023

Mulher carbonizada com as filhas nunca relatou problemas com marido

24/11/2022 as 09:50 | Urups | G1
A mulher que foi encontrada morta e carbonizada com as filhas de 11 e 13 anos em Sorocaba (SP) tinha uma "vida normal" e nunca havia relatado famlia problemas com o marido, que suspeito de matar as vtimas.

Segundo a polcia, Janiel Soares Gomes, de 37 anos, investigado por atear fogo na casa da famlia, com a esposa e as filhas dentro, e cometer suicdio momentos depois, no ltimo dia 16.

Dulcilene Setbal Batista, de 33 anos, e as filhas Luana Batista Gomes, de 13 anos, e Jheniffer Batista Gomes, de 11, foram enterradas no domingo (20) em Urups, no noroeste paulista.

De acordo com o irmo de Dulcilene, Cludio Setbal, a notcia das mortes chocou a famlia, pois todos tinham uma boa relao com o suspeito.

"No tem explicao como isso aconteceu. uma pessoa que no usava droga, no fazia nada, ia do trabalho pra casa, pra famlia, nunca bebeu, o que a gente sabe dele. Ento uma coisa assim sem palavras", afirma o irmo da vtima.

Segundo Cludio, a famlia deles de Bacuri, no Maranho, mas morava h mais de dez anos em Urups. H cerca de quatro, Dulcilene, o marido e as filhas haviam se mudado para Sorocaba em busca de mais oportunidades de emprego. Janiel era pedreiro e Dulcilene trabalhava em um mercado na cidade.

"Pelo que eu sabia, eles estavam vivendo uma vida boa. Minha me ligava direto pra eles e nunca demonstraram nenhum problema assim. Parece que h pouco tempo, ele [Janiel] chamou minha irm para voltar ao Maranho, mas ela no queria ir. Disse que, se ele fosse, ela iria voltar pra Urups", conta Cludio.

Apesar da conversa sobre a mudana, Cludio disse ao g1 que no sabe o que teria motivado o crime. Ele acredita que Janiel matou Dulcilene a facadas, asfixiou as filhas e, na sequncia, ateou fogo na casa.

"Foi uma coisa que abalou toda estrutura da famlia porque somos em 13 irmos, mas nenhum nunca passou por isso. Pensa numa famlia unida! Nunca ningum brigou com ningum, uma coisa que acontece na vida e desestrutura a famlia."

Bloqueou porta com geladeira
Segundo o relato de vizinhos, Janiel usou uma geladeira para bloquear a porta da casa e foi visto saindo do imvel ao soltar os ces da famlia na rua, logo depois do crime no bairro Jlio de Mesquita.

"Eu avisei: vizinho, seus cachorros esto saindo. E ele disse no, pra deix-los andarem, pode deixar o porto aberto. E a eu fui pegar a vassoura pra continuar lavando o carpete, e quando olhei pra casa, o fogo em chamas", relatou um vizinho TV TEM.

Ao g1, o irmo de Dulcilene contou que a famlia encontrou os cachorros quando foi para Sorocaba na sexta-feira (18), para reconhecer os corpos das vtimas, e levou os animais para Urups.

Apesar das condies dos corpos, Cludio disse que reconheceu a irm e as sobrinhas no Instituto Mdico Legal (IML). "Eu no consegui nem chorar ainda, parece que no caiu a ficha. Mas voc chegar l e ver sua irm e suas sobrinhas tudo queimada, deu uma dor no corao", afirma.

Janiel morreu no mesmo dia do crime, ao bater a moto em uma carreta na rodovia SP-79, em Votorantim (SP). No h informaes sobre o enterro dele.

Agora, a famlia espera respostas da polcia para saber o que realmente aconteceu. A Polcia Civil est ouvindo pessoas prximas famlia e aguarda laudos para concluir o inqurito. Uma percia foi feita na casa incendiada, que foi interditada por risco de desabamento.

"Ouviram testemunhas, mas ainda no deram o caso como encerrado. Foi cometido um feminicdio e quero saber como minhas sobrinhas foram mortas, quero saber tudo. uma coisa que mexeu no s com o povo da cidade, mas o pas inteiro", diz Cludio.

De acordo com a Diviso Especializada de Investigaes Criminais (Deic), os laudos necroscpicos devem apontar a causa da morte das vtimas, se elas morreram no incndio ou se tiveram leses anteriores.

A motivao do crime tambm est sendo investigada. Conforme a Deic, Janiel no tinha antecedentes criminais, nem denncias de violncia domstica.

"Minhas sobrinhas eram um doce de meninas. Elas estudavam perto de casa, brincavam, tinham uma vida normal. [...] Os vizinhos falaram pra mim que, na tera-feira, que foi feriado, um dia antes, o pai at assou uma carninha pra elas", relata Cludio.

E a minha irm era uma me de famlia. Ela no vivia pra luxo, vivia pros filhos. A minha me soube dar educao pra todos os filhos porque ns nunca gostamos de briga, nunca usamos drogas. Todas as minhas irms so mulheres guerreiras, trabalhadoras", completa.
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