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Domingo, 03 de Dezembro de 2023

A VIDA ALM DOS MUROS: vivncia do idoso institucionalizado

15/10/2022 as 09:42 | Fernandpolis | Andr Marcelo Lima Pereira
O aumento da populao idosa no mundo, em virtude das grandes transformaes sociais, de inovaes tecnolgicas, econmicas e demogrficas, alterou profundamente a sociedade moderna, e o envelhecimento populacional tornou-se uma das transformaes sociais mais significativas do presente sculo, com implicaes transversais em todos os setores da sociedade mercado laboral e financeiro, demanda de bens e servios como habitao, transportes, proteo social, estruturas familiares e laos intergeracionais (SILVA; SOUZA; FONTOURA, 2021). O envelhecimento traduz o modo como se viveu da infncia vida adulta, segundo condies objetivas e subjetivas de vida que viabilizaram a satisfao das necessidades fsicas, psquicas e sociais de indivduos e grupos, prospectando alcanar maior longevidade, a ser desfrutada com mais sade e satisfao pessoal. Se, porm, ocorrer o inverso, com insuficiente atendimento s condies essenciais vida, a condio de penria acentua o sofrimento fsico e psquico, o que pode resultar na interrupo prematura da existncia (ESCORSIM, 2021, p. 434).

Em todo o mundo, a populao com 60 anos idade considerada o marco inicial do envelhecimento biolgico (SOUZA et al., 2020) ou mais cresce mais rapidamente do que todos os grupos etrios mais jovens, embora o envelhecimento no impea que a pessoa idosa seja social e intelectualmente ativa (OMS, 2016). Antes considerado um fenmeno essencialmente biolgico, o envelhecimento, na modernidade, tambm considerado importante fenmeno social e uma das principais conquistas sociais (ESCORSIM, 2021; SILVA; SOUZA; FONTOURA, 2021), aportando grandes desafios (entre os quais est o de garantir dignidade humana e equidade entre grupos etrios, acesso aos recursos, direitos e responsabilidades sociais) e fazendo parte da realidade atual da maioria das sociedades: afinal, o mundo est envelhecendo. Prev-se, para o ano de 2050, existam cerca de 2 bilhes de pessoas com sessenta anos ou mais no mundo, a maioria delas vivendo em pases em desenvolvimento (OTTONI, 2020; SILVA; SOUZA; FONTOURA, 2021).

Assim, a estrutura dos grupos etrios tende a alterar-se profundamente: o peso relativo dos mais jovens (at 15 anos) ser menor, enquanto os idosos (acima de 65 anos) tero peso maior na composio demogrfica. Destacam-se, para este cenrio, dois fatores marcantes: taxa de fecundidade total (TFT) em declnio (reduo de 1,76 filho por mulher para 1,61, podendo chegar a 1,27 filho por mulher) e, em contraste, uma estrutura etria mais envelhecida, com alargamento da expectativa de vida (pela reduo do nvel de mortalidade relacionada ao envelhecimento e aumento da longevidade da populao): Isso muda a composio da populao, que deixa de ser rejuvenescida para ser envelhecida (IPEA, 2021).Silva, Souza e Fontoura (2021, p. 5) desenham um delineamento transparente para essa composio demogrfica: o aumento de idosos traduz uma profunda alterao demogrfica e se deve reduo da fecundidade e da mortalidade, resultado de polticas pblicas e de incentivos amparados pelo progresso tecnolgico e mdico. Como consequncia, o declnio da fecundidade acarreta, a mdio e longo prazos, uma reduo da populao nas idades produtivas (trabalhadores, potenciais contribuintes e cuidadores), enquanto a diminuio da mortalidade nas idades avanadas resulta em um aumento no nmero de anos vividos pelos idosos. No caso brasileiro, a demografia projetada apresenta um quadro alarmante para a Previdncia Social, responsvel por abastecer 76% dos idosos (com aposentadoria ou penso por morte) trs quartos dos idosos esto sob a tutela do sistema previdencirio. Assim, o desafio do Brasil de 2050 incluir um contingente maior de trabalhadores na condio de contribuintes hoje para evitar o colapso da previdncia quando essa fora de trabalho alcanar os requisitos para receber seus benefcios (BRASIL, 2017a, p. 15).

Embora no seja homogneo a todos os seres humanos devido a processos associados a gnero, etnia, condies sociais e econmicas, moradia, nutrio, acesso a servios de sade, regio de origem, entre outras condies, o envelhecimento da populao reflexo de mudanas em indicadores de sade, como queda da fecundidade, recuo dos ndices de mortalidade e, inversamente, aumento da longevidade. A Organizao Pan-Americana de Sade (OPAS) define envelhecimento como um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversvel, universal, no patolgico, de deteriorao de um organismo maduro, prprio a todos os membros de uma espcie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte (BRASIL, 2006, p. 8). , pois, um processo natural que vem acompanhado por uma progressiva diminuio das capacidades de reserva do organismo [senescncia], que respondem a fatores fisiolgicos e patolgicos (alteraes no equilbrio, postura, marcha, diminuio da fora muscular, dficits sensoriais, visuais e auditivos)(OPAS, 2004, p. 100).Khoury e S-Neves (2014) e Corra, Oliveira e Bassani (2018) destacam o envelhecer como sinnimo de decadncia fsica e ausncia de papis sociais, declnio ou perda lenta e progressiva de vrias funes biopsicossociais, que tornam o envelhecente mais vulnervel e alteram a dinmica familiar, cuja composio deve adaptar-se para satisfazer as novas necessidades, j que o papel social da pessoa idosa, diferente daquele que ocupou na juventude, assume um novo lugar, como um aposentado e encarando a velhice como um nus (SILVA; NASCIMENTO; BESTETTI, 2020, p. 419).

O processo de envelhecer extrapola o mero ciclo biolgico vinculado ao tempo e se entende como fenmeno humano e social, multifacetado por expresses sociais e mltiplas significaes culturais construdas na sociedade (ESCORSIM, 2021, p. 430), isto , alm do ciclo biolgico, irreversvel, assiste-se a fenmenos socialmente construdos nesta fase da vida, como se fossem muros intransponveis. Esse processo reporta maior sensibilidade do idoso ao meio ambiente, reduo de suas capacidades de adaptao e atividades, eo desenvolvimento de doenas e incapacidades prprias dessa etapa da vida que inibem a independncia e autocuidado, interferem em sua autonomia e modificam a interao consigo mesmo, com outras pessoas e com o mundo (ALVES-SILVA; SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2013). um processo dinmico, gradativo, que engendra alteraes morfofuncionais (fsicas) e psicossociais, emocionais e cognitivas, com mudanas que tornam os idosos mais susceptveis e vulnerveis a certos agravos na sade, ao aparecimento de patologias (envelhecimento patolgico) que incidem diretamente sobre os idosos e prejudicam a qualidade de vida (KHOURY; S-NEVES, 2014). Geralmente as patologias vm acompanhadas da prevalncia das doenas crnico-degenerativas que se ampliam a partir dos 60 anos, tendo como destaque a hipertenso arterial sistmica (HAS),doenas cardiovasculares (DCV), diabetes mellitus (DM) e doenas osteoarticulares (DOA) (OLIVEIRA et al., 2018; VIEIRA; LOBATO; FARIA, 2019; SOUZA et al., 2020).

Diante desse cenrio possvel, tem-se registrado um novo espectro populacional com a formao de novas estruturas familiares. Uma consequncia dessas alteraes representada pelo crescente nmero de idosos que moram sozinhos e no usufruem da companhia de pessoas mais jovens ou de um cuidador. Outra consequncia que as alteraes fisiopsicolgicas, a inexistncia de grupo familiar, situaes de abandono ou de carncia de recursos financeiros para manter um cuidador, sem sade e sem renda (condio que coloca a pessoa idosa refm dos cuidados da famlia e na posio de fardo no contexto familiar, sofrendo violncia domstica como negligncia, insegurana alimentar e afetiva) so fatores que favorecem a opo dos responsveis pela institucionalizao dos idosos, que so encaminhados a abrigos ou Instituies de Longa Permanncia para Idosos (ILPIs) (SILVA; SOUZA; FONTOURA, 2021).Com frequncia, os idosos institucionalizados so relegados ao esquecimento, ao desconforto da solido e sem poder viver as relaes familiares e sociais do alm-muros da instituio.

As ILPIs delineiam-se como espaos de assistncia s pessoas idosas, de forma a garantir seu bem-estar fsico, psicolgico e social, conforme propostos pelo Estatuto do Idoso (BRASIL, 2017b) e outras polticas voltadas a essa populao. A organizao disciplinar de uma ILPI se rege por normas que privam a pessoa idosa de se expressar de modo singular e livre e, mesmo recebendo cuidados que suprem suas necessidades imediatas, se depara com constantes desafios como relacionar-se socialmente com pessoas de mesma idade, suportar a ausncia da famlia e dos amigos, adaptar-se a uma rotina e a regulamentos novos que visam o estado de bem-estar coletivo e a participao em atividades que preencham as lacunas do tempo dentro da instituio (CORRA; OLIVEIRA; BASSANI, 2018). Essas importantes instituies, todavia, podem simbolizar situaes de isolamento, inatividade fsica e mental, privao de vida social, afetiva e sexual, e comprometimento na qualidade de vida (VIEIRA; LOBATO; FARIA, 2019), paradoxalmente percebida pela pessoa idosa como envelhecer de modo saudvel[...] um compromisso pessoal na busca contnua de uma vida desenvolvida luz de um bem-estar indissocivel das condies do modo de viver, que est intimamente ligado sade, moradia, educao, lazer, transporte, liberdade, trabalho, autoestima, entre outros (SOUZA et al., 2020, p. 2).

A percepo que se tem das ILPIs que so locais privilegiados para se observar o modo de viver a velhice, com um cenrio repleto de histrias de vida e caracterizado por impresses negativas e positivas sobre o que significa ser idoso: suas falas frequentemente esto repletas de lembranas do passado. Advindas do senso comum, cheio de estigmas e preconceitos, essa percepo marcada pela solido, pelo desprezo e abandono da pessoa idosa vivendo nessas instituies, que passam a representar a ideia negativa de depsito de idosos solitrios, ociosos, sem laos familiares ou de qualquer natureza: morar fora do contexto familiar, em uma instituio, pode gerar sentimentos de desamparo e abandono (FREITAS; NORONHA, 2010, p. 360).O preconceito se amplia fora dos muros da instituio, investe contra o idoso, marca e incomoda sua vida, impede-o de viver livremente sua existncia e o leva a viver em um abrigo fora do lar: como se os velhos no so mais socialmente aceitos, ganham apelidos pejorativos e tendem a perder sua identidade social (FREITAS, 2009).

Mesmo possuindo famlia, diferentes razes, porm, podem implicar que um idoso prefira viver em uma instituio para idosos: ser vivo, no ter filhos, preferir ser independente, no incomodar filhos e netos, no se relacionar bem com cuidadores informais, temer maus-tratos familiares, entre outros. Todavia, para a pessoa idosa, a institucionalizao representa um desafio diante da completa mudana da sua rotina de vida, da sada do lar ou do ambiente familiar e afastamento das pessoas queridas, o que pode levar a um distanciamento progressivo da famlia e resultar em abandono (MARTINS et al., 2017). Alm disso, existem outras dificuldades como adaptao a um novo ambiente social, submisso a novos cuidadores e regras da instituio, limitao ou mesmo perda de liberdade e subsequente sentimento de abandono diante da aproximao inexorvel da morte mudanas que geram insegurana, alteraes emocionais, estresse, medo, ansiedade, sentimento de solido, dentre outros (ALVES-SILVA; SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2013).

Por outro lado, ho que se considerar os benefcios da institucionalizao que, muitas vezes, significa a nica escolha para idosos que no possuem famlia ou cuidadores e nem [sic] mesmo um lar fixo. Para esses, as instituies significam a sua nica chance de ter um envelhecimento tranquilo e seguro (ALVES-SILVA; SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2013, p. 821). Assim, uma ILPI pode significar o acolhimento ao idoso e no apenas um local que recebe idosos rejeitados ou abandonados pela famlia. Ela deve ser compreendida e respeitada como opo de vida do indivduo para inserir-se em um grupo que o estimule para a construo de nova identidade social, proporcionando-lhe a sensao de pertencimento e despindo-se do preconceito.

Neste contexto, o idoso residente em uma ILPI pode olhar a instituio como espao institucional benfazejo: seu cotidiano prossegue eivado de tudo aquilo que v fora dos muros, isto , a vivncia de conflitos, brigas, fofocas, competies, paixes, perdas e ganhos (FAGUNDES et al., 2017). Embora a ILPI seja demarcada por muros e os idosos observados por pessoas que os assistem e lhes prestam cuidados em vrias dimenses, ela procura garantir a ateno integral s pessoas com 60 anos ou mais, defender sua dignidade e direitos, prevenir a reduo dos riscos aos quais ficam expostos os idosos que j no contam com moradia prpria (ALVES-SILVA; SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2013) e promover condies de liberdade, dignidade e cidadania (FAGUNDES et al., 2017). Deve-se pensar, tambm, que esses idosos, dependentes ou independentes na execuo das atividades de vida diria, podem no dispor de condies de permanncia com a famlia ou em seu domiclio, nem ter suporte familiar e, por isso, demandam assistncia institucional.

Valem ser ressaltados dois aspectos significativos em uma ILPI: o fsico, estrutural, e o socialmente construdo, subjetivo, no perceptvel fisicamente, mas presente em sua constituio social o que traz reflexo o conceito de instituio total, retratada pelo fechamento, o que significa a existncia de barreiras em relao ao mundo externo, atravs de proibies de sadas que esto includas no esquema fsico como exemplo: portas fechadas, muros altos, fossos, pntanos, entre outros (FREITAS, 2009, p. 43), e pelos estilos de organizao interna estabelecidos por regras que disciplinam a execuo de atividades, obrigam a apresentao de determinado carter e o ajustamento convivncia no ambiente. Pode-se imaginar que uma ILPI tolha a identidade de cada idoso, o que faz parecer uma instituio constituda para cuidar de pessoas incapazes e inofensivas, criando uma barreira que extrapola os muros: a barreira social entre o mundo interno da instituio e o mundo externo, em um espao onde todas as atividades e cada passo do indivduo so desenvolvidos em um nico ambiente, na mesma atmosfera coletiva, obedecendo a regras e a uma rotina estrita (SOUZA; INCIO, 2107). Neste espectro, tem-se a impresso de que os idosos vivem margem do mundo externo, guardados para no serem vistos ou para no incomodar aos que vivem l fora, alm dos muros e dos portes fechados (FREITAS, 2009, p. 97): a instituio parece concentrar, dentro de seus muros, tudo o que o idoso necessita.

A permanncia em uma ILPI pode engendrar um processo de distanciamento de si e do mundo alm-muros, uma espcie de rompimento e mutilao de si, despersonalizando-se, perdendo sua identidade pessoal e social. Com frequncia, os idosos manifestam desejos variados, como a carncia afetiva, sendo o desejo de liberdade o mais frequentemente manifesto: desejo de ir embora, de retornar s suas casas de origem(no vivem ali por vontade prpria) ou s suas famlias. Mesmo gratos pela assistncia oferecida pelo abrigo, no fazem da instituio um lar nem expressam sentimento de pertena, reconhecendo que as razes no foram ali fincadas. A fala, o olhar, o sorriso, os gestos manifestam insatisfaes e ocultam sentimentos desagradveis, de solido e profunda tristeza disfarada (SOUZA; INCIO, 2017). A forma de viver do idoso institucionalizado, no entanto, d um sentido de famlia: um permanente exerccio de humanidade e respeito, e viver bem a velhice em coletividade passa a ser um objetivo comum, sem disfarces, sem pretenses de reatar o convvio de outras geraes, como ocorre fora dos muros. Dentro do abrigo, uns se veem nos outros, e no se pode mascarar essa fase da vida (FREITAS, 2009, p. 132).

A ILPI (tambm alcunhada de abrigo, casa de repouso, asilo) pode tornar-se uma alternativa para viver ou esconder os conflitos sociais e da famlia: ao mesmo tempo em que traz a questo do espao social, com sua bela arquitetura, camufla o que est por trs dos seus muros, ou seja, idosos dependentes e histrias de famlias, que perderam seus laos afetivos, ao longo do curso de suas vidas (FREITAS, 2009, p. 185). Nesses espaos, muitas vezes, os corpos parecem deambular mortificados, tristes, docilizados pela disciplina e submisses, sem que a rotina estimule a autonomia e o respeito s singularidades. Nesse caso, a arquitetura de uma ILPI apresenta conteno, e a forma mais utilizada o muro alto, fechado, sem possibilitar a integrao visual com o mundo do lado de fora(SOUZA; INCIO, 2017). A justificativa, muitas vezes com vieses ocultos e duvidosos, que a segurana e privacidade em uma ILPI devem garantir a convivncia e a proteo dos idosos(ALVES-SILVA; SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2013; BRASIL, 2017b) e a necessidade de cuidados, por causa da sade debilitada (FERREIRA; PREUSS, 2017, p. 7).

Contudo, esse tratamento pode causar-lhes isolamento, afastamento e falta de estmulo para vivenciar a passagem do tempo nesta fase da vida. No se pode acompanhar a vida alm dos muros: o alternar de modas e modos, perceber rudos de crianas brincando, apreciar novos modelos coloridos de carros nas vias urbanas ou outros elementos no entorno, no se tem o contato com a natureza viva e exposta contemplao, -se impedido de exercitar a mente e o corpo, e o idoso se torna uma presena no mundo sem ser reconhecido nem ter importncia. Est abandonado sua sorte, embora assistido materialmente (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008; OTTONI, 2020; SCHWERTNER, 2020).

oportuno, pois, se repensarem outros sistemas que possibilitem a convivncia alm de mveis e utenslios, ofeream atendimento bsico, conforto, habitabilidade das acomodaes, higiene (CNMP, 2016) e, mantendo a segurana e a capacidade de assistncia humana ao idoso, permitam opesdeespaos que viabilizem o convviosocial e o bem-estar maior, a contemplao, a liberdade e a felicidade do bem-viver; que agreguem beleza ao conjunto arquitetnico, porque, afinal, o belo estimulante! Que os idosos vejam uma instituio que os abriga no como aprisionamento e mutilao de sua identidade e capacidade de viver, mas como espao acessvel, sem restries, com escolhas,sem a percepo de viver preso com portas e muros que restringem e segregam(CORRA; OLIVEIRA; BASSANI, 2018). Que os idosos no carreguem, como assinalam Souza e Incio (2017), um eu mortificado, um corpodocilizado, uma identidade lentamentemutilada [que] habita um corpo que sofre, e jamais digam que o envelhecimento a prova de que o inferno existe (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008, p. 586). Por fim, que possam viver dignamente os ltimos dias de suas existncias, permitindo-seusufruir da vida alm dos muros.

REFERNCIAS

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