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Domingo, 03 de Julho de 2022

Brasileiro trabalha até 29 de maio apenas para pagar imposto

27/05/2022 as 00:00 | Brasil | DHoje Interior
Você brasileiro que está lendo está matéria terá trabalhado 149 dias apenas para pagar impostos, taxas e contribuições exigidas pelos governos federal, estadual e municipal. A data corresponde ao dia 29 de maio, neste domingo.

Somente a partir de segunda-feira, 30, todos os trabalhadores do país começarão a produzir para seu próprio sustento e lucros pessoais. Até esta quinta-feira, 26, o impostômetro marcava mais de R$ 1,6 trilhão de impostos arrecadados dos brasileiros.

O valor pago em impostos representa incríveis 40,82% do rendimento médio brasileiro, que de acordo com o IBGE foi de R$ 2.789,00 em 2021. Se considerarmos a faixa de renda da população, aqueles com rendimento mensal de até R$ 3 mil terão que trabalhar 141 dias para pagar impostos, ou seja, até o dia 21 de maio. Já os que ganham entre R$ 3 mil e R$ 10 mil trabalharão até o dia 6 de junho, totalizando 157 dias, enquanto os com rendimento mensal acima dos R$ 10 mil vão trabalhar 150 dias, até o dia 30 de maio. Isso porque mudam as alíquotas sobre renda, patrimônio e consumo.

O “Estudo sobre os dias trabalhados para pagar tributos” feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) levou em conta vários tributos, entre eles: o Programa de Integração Social (PIS) , Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social (Cofins) , Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) , Imposto sobre Serviços (ISS) e os que incidem sobre salários e patrimônios.

O presidente do instituto, João Eloi Olenike, afirma que a carga tributária brasileira está entre as maiores do mundo e tem um dos mais baixos retornos em forma de serviços públicos e infraestrutura.

“O problema não está na arrecadação em si, porque o Brasil é um país gigante. O problema é o retorno. O Brasil, entre os 30 países de maior carga tributária do mundo, é aquele que dá o pior retorno em relação àquilo que é arrecadado. E ele não consegue melhorar a qualidade de vida da população”, explica.

O professor e economista de Rio Preto, Raphael Tavares Mantovani, afirma que pelo tamanho do Brasil a carga tributária segue a média dos países do mesmo porte. Ao Dhoje Interior ele diz que o problema é a ausência da chamada “sensação de retorno”, já que o brasileiro sente o peso dos impostos e espera no mínimo que o Estado ofereça boa educação, saúde e segurança, por exemplo.

“Infelizmente não é o que ocorre. Na segurança o cidadão limita a sair em determinados horários, coloca cerca elétrica na casa, opta por morar em condomínio fechado. Saúde, quem pode paga plano particular e a educação é de qualidade duvidosa”, afirma Raphael.

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas do Brasil é calculado em R$ 7 trilhões. No entanto, quase R$ 3 trilhões refere-se ao montante da carga tributária que sai da economia, mas é mal gerida.

“Tem muito dinheiro, mas não sabe gastar. Entra corrupção e quando não tem a corrupção o próprio gestor é ruim. Manda pintar a escola quando poderia investir no professor, na infraestrutura do local. Isso acontece em todos os setores. Na saúde, por exemplo, ao invés de aumentar leitos disponíveis preferem reformar as unidades”, diz o economista.

Do total disponível para o governo federal investir mais de 92% do orçamento vai para saúde e educação. Segundo Raphael não há margem de manobra, como ele mesmo diz um país “engessado”

“Infelizmente no curto prazo não vejo solução. Deve-se melhorar a gestão do recurso arrecadado, combate a corrupção e criando mecanismos de capacitação dos profissionais da área pública. A médio e longo prazos deveria reduzir a carga tributária, mas para isso é preciso enxugar os gastos público, o tamanho do Estado”, conclui.

Peso do Estado

A vendedora Elisa Araújo, de 45 anos afirma que os impostos só aumentam o que impede de melhorar de vida. “Em casa é tanta conta para pagar, imposto de tudo, da casa, do carro, que não temos como guardar dinheiro”, diz.

O empresário Fábio Augusto, de 36 anos, diz que caso a taxa tributária fosse menor, seria possível tornar as pessoas empreendedoras. “O dinheiro deveria ser melhor tributado, dando as condições para cada um se tornar dono de seu negócio. Seria um círculo vicioso e geraria ainda mais riquezas para o país”, afirma.
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