Quarta, 27 de Outubro de 2021

Presos mais dois envolvidos no mega-assalto de Araçatuba

26/09/2021 as 09:33 | São Paulo | Folha da Região
Mais dois suspeitos de participar do mega-assalto de Araçatuba foram presos no Jardim Tremembé, na zona norte da capital paulista. Agentes da Polícia Militar (PM) em uma viatura avistaram os dois em um carro e decidiram fazer uma abordagem. Estavam no veículo Claudio Cruz, que apresentou um documento falso com o nome "Fábio Cruz”, e o Washington Lobo.

Ao perceberem a falsificação da identidade, os policiais se informaram pelo setor de inteligência e acabaram descobrindo que o Claudio tinha um mandado de prisão aberto contra ele recentemente por participação no ataque a banco em Araçatuba.

Os dois homens foram presos e o carro de modelo importado em que estavam foi apreendido. Ainda na manhã desta sexta, os suspeitos foram encaminhados à Delegacia de Roubo a Bancos da cidade de São Paulo, onde vão prestar depoimento.

Até o momento, dez homens já foram presos pelo ataque em Araçatuba que deixou três mortos e cinco feridos.

A polícia acredita que ao menos 30 homens participaram da ação.

No entanto, quatro já estão em liberdade. Incluindo o homem apontado como sendo o financiador da ação com aporte de R$ 600 mil, mas por falta de provas ele foi liberado.

Três suspeitos morreram, um deles em uma troca de tiros com a Polícia Militar no dia dos ataques, que deixou também outros dois suspeitos feridos à bala. Antônio Carlos Fermino Bezerra morreu dias após dar entrada na Santa Casa de Piracicaba e Anderson Luis de Oliveira foi encontrado morto em um terreno em Sumaré. Como ele usava colete balístico, a polícia acredita que ele foi ferido no ataque e, como não resistiu, foi deixado no local pelos comparsas.

No último dia 14, a Polícia Federal, que comanda as investigações, deu mais um passo na tentativa de desarticular a quadrilha. Vinte mandados de busca e apreensão foram cumpridos, dois em Araçatuba, um Guarulhos, seis em São Paulo, oito em Campinas e três em Piracicaba (SP).

A PF afirma que a maioria dos integrantes do grupo é da capital paulista, da região de Campinas e Piracicaba, e faz parte de grupos ligados à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

A Polícia Federal afirma ainda que a ação dos bandidos foi um fracasso, já que o objetivo da quadrilha era roubar cerca de 90 milhões da sala-cofre da agência do Banco do Brasil – uma das atacadas. Entretanto, um mecanismo de destruição de cédulas com lâminas e tinta foi acionado e impediu a apreensão total do dinheiro.

Com a inutilização das notas, são emitidas novas cédulas pelo Banco Central, sem prejuízo financeiro. Foi a primeira vez que esse sistema, instalado neste ano, foi acionado.

A estimativa, então, é de que a quadrilha tenha roubado R$ 2 milhões em dinheiro e cerca de R$ 5 milhões em joias.

Veículos

Ao menos oito carros usados pela quadrilha foram apreendidos após serem encontrados abandonados em cidades vizinhas à Araçatuba.

Entre eles, estão veículos de luxo, das marcas Mitsubishi e Porsche. O segundo, de modelo Cayenne, é vendido por no mínimo R$ 549 mil na versão mais recente. Além da Porsche Cayenne, também foram apreendidas uma Mitsubishi Pajero, com preço inicial de R$ 283 mil na versão mais nova, e uma Mitsubishi Outlander, com valor mínimo de R$ 130 mil pelo último modelo.

Além dos carros, dois suspeitos de participarem do ataque também foram presos em São Pedro, na região e Piracicaba (SP). Com eles, a polícia apreendeu roupas táticas, coletes balísticos, lanternas, binóculos, máquina para contar dinheiro, munições de calibre 0.40 e 380, carros, além de cerca de R$ 3 mil. A Polícia Federal não confirma se mais dinheiro levado na ação foi apreendido em outras situações.

Antes de deixar a cidade de Araçatuba, os criminosos espalharam explosivos pela cidade. Foram 98 no total, o maior da história do país, segundo levantamento inédito feito pela Associação Mato-Grossense para o Fomento e Desenvolvimento da Segurança.

Os dispositivos tinham sensores para ativar explosões por celular à distância seja por mensagem ou por ligação. Todos os artefatos foram recolhidos pelo Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e detonados em um aterro sanitário da cidade. Foram cerca de 30 horas para concluir a detonação.
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