Terça, 13 de Abril de 2021

Pastel com caldo de cana

01/03/2021 as 13:31 | Fernandópolis | Sérgio Piva
O Signal é um mensageiro instantâneo, rival do WhatsApp, pouco conhecido, até essa declaração de Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo. Depois dela, as ações da Signal Advance, detentora dos direitos do aplicativo, dispararam na Bolsa Americana. Suas Ações subiram até 11.708%. A procura por downloads do aplicativo foi tanta, que a empresa não estava conseguindo lidar com a demanda.


Lembro-me de um dos maiores clichês dos filmes policiais americanos: “Você tem o direito de permanecer calado, tudo o que disser poderá ser usado contra você num tribunal.” Era a advertência dada pelo policial ao bandido no momento da prisão.


É um bom conselho às pessoas que saíram do anonimato para o estrelato. Serve a todas aquelas que subiram de posto ao show biz ou à vida pública. Ou aos dois conjuntamente, como pode-se ver hoje em dia.


Não haverá mais vida privada. Nem na privada e em lugar nenhum. O anonimato ficou para trás. Dependendo do grau de importância da função ou da incandescência da estrela, pode esquecer o pastel com caldo de cana na rua.


Principalmente nas redes sociais, tudo que disser não poderá ser, geralmente, será usado contra você. Ainda que não diga uma palavra sequer, basta uma imagem postada e mal interpretada que será o suficiente para derrubar o autor da postagem das alturas. E pior, não será usado somente no tribunal (supremo ou monotremo), mas na vida pública real e palpável.


Maldade das pessoas, incompreensão, perseguição política (a clássica). Talvez, em alguns casos. Mas o julgamento sumário, em suma, é sempre motivado pela decepção da plateia, daqueles abaixo do céu estrelado, pisando no barro da criação.


Os personagens da vida pública, os atros e estrelas do mundo verdadeiramente irreal, tendem a ser modelos. E deveriam sê-los. Carimbados com a estampa da ética e a tinta da moral. Afinal, lá em cima, são representantes dos aqui embaixo.


Representantes, pelo voto, das necessidades e anseios de outrem, nos seios das liberdades. Modelos, pela admiração, dos desejos e sonhos, tidos dormindo ou acordados, muito mais televisados.

Exemplos não faltam e nunca faltarão, no BBB da Globo ou de Cajazeiras, se fazendo de bobo ou falando besteiras. Se repetirão no Planalto e nas feiras, nas primeiras ou nas horas derradeiras.


Diz o ditado, que em boca fechada na entra mosquito. Eu remendo, Facebook fechado não cassa (nem caça) político. Youtube não é um clube, mas palavras ditas tem sempre quem as adube. É fato, é maquitube.


Martin Luther King Jr., Nelson Mandela, Mahatma Gandhi, e tantos outros líderes, revolucionaram o mundo com suas palavras em um tempo em que elas viajavam muito mais lentamente.


Também pagaram um preço elevado pelo que disseram, mesmo com a clara intenção de estarem lutando pela melhoria da condição das vidas de outras pessoas, não tão somente deles mesmos.


Imagine, então, usar palavras que não acrescentam, que não modificam a vida para melhor ou que vão na contramão de tudo isso. Quais seriam (e são) os resultados, sejam eles imediatos ou a longo prazo?

Quais forem, serão julgados pelos homens (as redes, as cortes, as bocas).
Quem sabe, por Deus, pelo Universo ou qualquer outra força superior que esquecem ou fingem não existir.

Deixo, por fim, a advertência do escritor Marcelo Liessi: “Cuidado com o que fala, alguma pessoa inteligente pode escutar”. Daí para frente poderá não haver mais pastel, nem céu, somente réu.

Será a desgraça da graça. Não haverá caldo, nem de cana nem de galinha que levante a prudência. Sobrará mesmo só a cana, metafórica ou literal. Qualquer que seja, será fatal. Não será mais o tal, só o lobo mal.

Sérgio Piva
s.piva@hotmail.com


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