Terça, 13 de Abril de 2021

Junior pode ter intermediado construção de casa para Rivelino

05/09/2020 as 08:15 | Jales | Da Redaçao
A tomada de depoimentos na CEI das Casinhas em Jales acabou revelando um esquema, que até então poucos sabiam. São possíveis negligência, ingerência, falta de transparência e tráfico de influência. O portal A Voz das Cidades, divulgou nesta sexta-feira, dia 4, vídeos de depoimentos dos sócios da empresa Tecnicon Engenharia e Construções Ltda de Jales, responsável pela construção de 99 casas populares na cidade e que apresentaram problemas.

Mas o imbróglio não está relacionado problemas estruturas nas casas do Conjunto Habitacional Honório Amadeu, mas também em um esquema onde várias pessoas participavam para possivelmente terem vantagens.

Uma comissão formada por vereadores da Câmara Municipal de Jales tomou depoimento de Miranda e Delpino, sócios da empresa responsável pela construção das casas populares.

O que chamou a atenção em mais de cinco horas de depoimento, foi a riqueza nas informações que deixaram os vereadores surpresos. Miranda e Delpino, afirmam que o empresário e ex-vereador Rivelino Rodrigues participou como "parceiro" tanto na Construção do Conjunto Habitacional Honório Amadeu, quanto em outros, como Nova Jales e até em outras cidades.

A preocupação dos membros da CEI, é de que Rivelino Rodrigues, na época participava da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Jales (Presidente), e "sabia" da retirada do "Lixão". A dúvida é se o ex-vereador sabia e, sendo membro da Comissão de Constituição e Justiça não poderia ter barrado o Projeto ou por ser parceiro teve interesse?

Em um trecho do depoimento, veio a revelação surpreendente, Júnior Rodrigues (ex-vereador) que ganhava os 5% da Empresa Tecnicon, procurou a Empreiteira em nome de Rivelino Rodrigues também ex-vereador, para construir uma casa para o Tio (Rivelino Rodrigues) como forma de saldar uma dívida da Tecnicon.

Para alguns vereadores, ficou a dúvida se Júnior Rodrigues fez a intermediação para pedir que a Empresa Tecnicon, que devia para o Tio (Rivelino Rodrigues) pagasse a dívida através da Construção de uma casa no Bairro Big Plaza, já que Junior era responsável pela compra dos materiais para as casas do CDHU e poderia ter comprado os materiais como se fosse para o conjunto habitacional.

O RN chegou a entrevistar o ex-vereador Riva Rodrigues que negou as acusações, mas confessou que a casa havia sido construída pela Tecnicon e que teria documentos para comprovação.

Também surgiu a dúvida se o resto a pagar pela Tecnicon em execução Judicial de notas apresentadas após a entrega das Casas da CDHU (79 mil reais), podem ser referentes a materiais usados na construção da casa do Ex-Vereador Riva Rodrigues, pegos pelo sobrinho Júnior Rodrigues, uma vez que os sócios da Tecnicon, continuam afirmando que as Notas Fiscais são "frias".

Segundo Delpino e Miranda, as compras de materiais para as Casas da CDHU, de 2012 à 2016 eram feitas pelo próprio Miranda. Já em 2016, o sistema de compras mudou, as compras passaram a serem feitas únicas e exclusivamente por Júnior Rodrigues, a lista era feita pela Tecnicon e Júnior Rodrigues se encarregava da compra dos materiais.

Perguntado pela CEI, no que mudou no sistema de compras, após a indicação de Júnior Rodrigues, em 2016, Miranda foi categórico ao responder que foi Imposto pelo Prefeito Flá, para que Júnior Rodrigues passasse a fazer as compras dos materiais para a construção das casas da CDHU, além das compras Júnior Rodrigues tinha a responsabilidade de representar a Tecnicon junto à Prefeitura de Jales.

Miranda e Delpino, afirmam que Júnior Rodrigues era na verdade o "fornecedor" do material que era pago pela Tecnicon, com desconto de 5% sobre o valor de cada compra realizada por Júnior e pagas como comissão ao intermediário.

As garantias segundo Miranda e Delpino, foram dadas pelo prefeito de que as medições aumentariam e os pagamentos com a vinda de Júnior Rodrigues não mais atrasariam.

Os cheques eram pegos na "boca do caixa" da Prefeitura de Jales, Miranda junto com Júnior Rodrigues, após os recebimentos os cheques eram assinados, endossados e entregues para que Júnior depositassem em sua conta para o desconto dos 5%.

Conforme confirmado pelo site A VOZ DAS CIDADES, Nelsinho Guzzo, era o "elo" de ligação para acelerar os pagamentos entre Júnior Rodrigues e a Prefeitura de Jales.

A Comissão Parlamentar quis saber se os sócios da Tecnicon sabiam que lá era um lixão, e quem era o Secretário Municipal de Obras na época dos fatos. Miranda e Delpino, afirmaram que na época o Projeto pedia uma coisa, e a situação informada era completamente diferente; após ser encontrado material "estranho" foi comunicado a CDHU, está por sua vez ordenou que a Empresa Tecnicon que continuassem executando outra fase da obra até que se decidisse o que fazer com o "lixo" encontrado.

Na época responderam que o Secretário de Obras era Manoel De Aro, assim que receberam carta branca, foi dada a ordem para retirada do material e execução da obra normalmente.

Na sequencia dos depoimentos, Miranda e Delpino afirmam mais uma vez, que o projeto original, foi completamente "alterado" não havia espaço para construção das 99 casas da CDHU.

Um novo Projeto foi elaborado e ajustado pela CDHU e Prefeitura de Jales e aprovado pelo Grapohab - Graprohab é o Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais, órgão responsável pela aprovação de loteamentos e empreendimentos imobiliários habitacionais (conjuntos habitacionais, condomínios, etc. no Estado de São Paulo). Os Sócios da Tecnicon, afirmam que toda execução da obra, era fiscalizada 24 horas por um Engenheiro de uma Empresa Terceirizada CAA - cujo responsável era Gustavo Salione.

Sobre a relação do atual prefeito de Jales, Flávio Prandi, que possivelmente na época Coordenador da CDHU, considerando que ele é morador de Jales, deveria ter conhecimento do projeto, os Sócios da Tenicon deixaram claro que na época Flávio Prandi, não era Coordenador da CDHU, ele assumiu o cargo em 2015.

Com relação a fiscalização por parte da Prefeitura, os Sócios da Tecnicon, disseram que nunca Engenheiros ou Secretários Municipais estiveram na obra para fiscalizar, medições, ou a própria construção das casas, tanto que foi apontado outro "erro" no Projeto, a construção de muros de arrimo já em uma fase avançada das obras, o que acabou onerando ainda mais o Empreendimento.

Após a descoberta do Lixão, os Sócios revelam detalhadamente, em cada Quadra do Empreendimento quais os problemas apresentados e que era para ser executado em 12 meses, passou para 72 meses, uma vez que as obras foram paralisadas de janeiro de 2013 à 23 de maio de 2013.

Mesmo com a descoberta de irregularidades, foi determinado sequência na execução das obras pela CDHU e Prefeitura de Jales. Miranda e Delpino afirmam que embora seja descoberto lixão no local, também afirmam que o novo solo colocado, foi o suficiente para a continuação e realização das obras.

Afirmam ainda que nenhuma casa tem problema de "fundação" e mesmo sabendo que lá era um lixão, não causou nenhum impacto no projeto.
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