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Domingo, 28 de Maio de 2023

Tcnica permite ver o novo coronavrus dentro da clula em 3D

06/08/2020 as 12:15 | Estado de So Paulo | Da Redaao
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um mtodo que permite visualizar o material gentico do novo coronavrus dentro de clulas. Baseado na tcnica conhecida como hibridizao in situ por fluorescncia FISH (fluorescent in situ hybridization) , ele permite visualizar o vrus nas clulas em trs dimenses e a marcao simultnea de outros componentes celulares.

Geralmente, os laboratrios usam tcnicas que permitem verificar o aumento da carga viral em uma cultura de clulas ou tecidos infectados, como o qPCR. No entanto, essas tcnicas no comprovam que o vrus est dentro das clulas ou mesmo em que parte da clula ele se instalou, o que muito importante na compreenso da doena, diz Henrique Marques-Souza, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, que liderou o desenvolvimento do mtodo, Agncia Fapesp.

Henrique Marques-Souza, que apoiado pela Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo (Fapesp), faz parte da Fora-Tarefa COVID-19 Unicamp, que une esforos de pesquisa, insumos e recursos para a compreenso e combate doena. Com o protocolo, desenvolvido pela ps-doutoranda Luana Nunes Santos, ser possvel aprofundar os estudos sobre o novo coronavrus em andamento em seu laboratrio, alm de permitir a colaborao com outros grupos de pesquisas dentro e fora da Unicamp.

Conseguir visualizar o vrus dentro da clula algo muito valioso para a compreenso da infeco. Isso pode tambm ser realizado pela microscopia eletrnica de transmisso [MET] ou por imunocitoqumica [ICQ]. A MET, porm, demanda microscpios especializados e demora entre uma semana e dez dias para ser concluda. J a ICQ requer anticorpos que se ligam ao vrus, e relativamente simples, pontua.

No entanto, os insumos so caros e demoram muito para chegar por conta da alta demanda mundial provocada pela pandemia, completa.

Ensaios

Na FISH, os pesquisadores sintetizam uma sonda, uma molcula de DNA que se liga ao RNA do vrus, o que permite a ligao de substncias visveis sob luz fluorescente. Ao entrar em contato com a clula infectada, a sonda se liga (hibridiza) especificamente com o RNA do vrus e as molculas fluorescentes que a ela se ligam permitem a visualizao da marcao em um microscpio de fluorescncia.

Do ponto de vista logstico, os ensaios realizados pelo laboratrio da Unicamp podem ser feitos com mais agilidade, porque no dependem da importao dos kits comerciais de FISH ou dos anticorpos usados na imunocitoqumica, o que representa tambm um ganho econmico. Outra vantagem que o vrus pode ser detectado precocemente, uma vez que a imunocitoqumica depende de o vrus replicar seu RNA e produzir um nvel detectvel da protena viral.

Ao do vrus

As imagens em trs dimenses feitas at agora mostram que o vrus se replica prximo ao ncleo da clula, provavelmente se instalando em alguma organela especfica, como o endossomo. O vdeo pode ser conferido no fim da reportagem publicada pela Agncia Fapesp.

Os pesquisadores esto aplicando essa tcnica para responder a diferentes questes do mecanismo de infeco do novo coronavrus e os primeiros resultados encontram-se em vias de serem submetidos para publicao.

O trabalho abre caminho ainda para aplicao no estudo de outros vrus, inclusive para traar paralelos entre eles e o SARS-CoV-2. Tudo o que descobrirmos sobre a dinmica do vrus dentro da clula podemos adaptar para comparar com outros vrus mais comuns, como o da gripe. Com isso, talvez seja possvel entender por que o novo coronavrus to agressivo, diz Marques-Souza.

Embora no seja o foco no momento, o trabalho tambm pode resultar no desenvolvimento de um novo teste de deteco do vrus no futuro. O novo protocolo foi testado em clulas Vero, originrias de rim de macaco, modelo mais usado em estudos de coronavrus. Os testes tambm foram bem-sucedidos em clulas pulmonares e em outras clulas humanas, deixando evidente a versatilidade da tcnica.
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