Segunda, 19 de Novembro de 2018
Homem é condenado a mais de 20 anos por morte do próprio tio
22/06/2018 as 18:36 | S. J. do Rio Preto | DHoje Interior
Entre as diversas histórias do teatro da vida real o tribunal de Júri também não só analisa crimes violentos em sua maioria cometidos dentro ou fora do ambiente doméstico, como também brigas de famílias muitas delas que já ganharam até algumas linhas nos livros de literatura.

Em Rio Preto a rixa dos Silva esteve outra vez em discussão no plenário da Justiça Pública, que condenou a 21 anos e 09 meses de prisão o primo, Alexandro da Silva de 35 anos, pelo homicídio duplamente qualificado do tio, Elias Pereira da Silva, 60 anos; morto com seis tiros de calibre 38 em uma rua do bairro Brejo Alegre na manhã do dia 18 de abril de 2007.

Para entender como tudo aconteceu é preciso voltar no tempo a rixa começou em 2001 nas terras de Pernambuco-PE envolvendo a venda de um cavalo aos primos, eles queriam receber a dívida do animal e teriam insultado o pedreiro Elias que esfaqueou o réu em seguida matou o irmão dele.

Depois desse episódio a família veio para o interior de São Paulo quando novamente os dois familiares acabaram se encontrando na estrada, Nelson Vitalino, no bairro rio-pretense que fica na zona Leste por volta das 10h30 de quarta-feira, a mesma pessoa que hoje é vítima havia acabado de cumprir dois anos de prisão por conta do atentado contra o irmão e tinha ganhando a liberdade é deste ponto em diante que guerra familiar veio à tona.

A região que foi palco de cenas de faroeste é historicamente marcada pela violência e o comércio irregular de drogas.

Uma testemunha que hoje não se recorda muito bem do ocorrido há onze anos também recebeu dois tiros e sobreviveu. No dia seguinte a confusão entre tios e sobrinhos a mãe de Alexandro também morreu e o pai foi baleado pelos primos na varanda da casa onde o casal vivia, era uma propriedade rural aos arredores do Brejo.

TRANSAÇÃO DE CAVALO

O motivo de tantas brigas ainda não foi totalmente esclarecido, mas investigações que duraram aproximadamente cinco anos, na época conduzidas pela delegacia que apura crimes de autoria desconhecida a DIG, descobriu que além do cavalo havia outra conta por trás da confusão envolvendo o tráfico, foi pai do próprio réu, que desmentiu a versão.

“Não posso permitir que essa guerra continue triste história de familiares pior do que Exu, Alencar e Sampaio”. Disse o integrante do Ministério Publico Marcos Antônio Moreira durante suas teses de acusação.

Na ocasião dos fatos segundo a denuncia do processo de primeiro grau a vítima seguia em cima de uma carroça pela estrada quando encontrou o réu armado e após um novo bate-boca entre os parentes, Elias foi baleado e teve morte instantânea o trabalhador que passava pela cena do crime também foi alvejado duas vezes pelas costas e prestou depoimento a magistrada Gláucia Véspoli dos Santos Ramos de Oliveira.

No decorrer da fase policial o réu admitiu agressão e que logo depois se escondeu em um matagal. Arma não foi apreendida durante o registro da ocorrência pela PM.

Contrário à nova decisão que permite ao réu seja levado aos verdadeiros juízes da causa após a intimação agora também por edital e publicado no Diário Oficial da União. A defesa representada pelo advogado Wagner Domingos Camilo nomeado através de um convenio com a Defensoria Pública, sustentou em defesa de Alexandro, que pela falta de instrução adequada jamais teria noção de que estava sendo julgado.

“No dia que esse moço [réu] souber que houve um julgamento dele talvez fique até com calafrio, embora que a lei fale que intimado por edital está intimado isso não é verdade”, disse o jurista criminal Domingos Camilo ao Conselho de Sentença formado por quatro mulheres e três homens; entenderam que o condenado Aléxandro agiu com intenção homicida, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa do tio.

No decreto a juíza mandou expedir o mandado de prisão enquanto não for cumprido o réu continua sendo considerado foragido da justiça.

O homem que está vivo e socorreu Pereira acredita em ‘tiro acidental’ daquela manhã de 2007 e também ficou sabendo da história dos Silva, quando encontrou um integrante o pai de Alexandro internado no Hospital de Base.

Não informou o Tribunal de Justiça de São Paulo se a defesa pretende entrar com recurso, além do homicídio o réu vai cumprir pena em uma tentativa de homicídio, já que houve duas vítimas. Laudos do IML (Instituto Médico Legal) concluíram que os tiros acertaram as costas da vítima.

“Esse derramamento de sangue pode ser maior”. Relatou um familiar dos Silva ouvido pelo DHOJE em abril.
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