Segunda, 25 de Maio de 2020

Muito estranho, diz pai de modelo encontrada morta em apartamento

22/05/2020 as 20:16 | Estado de São Paulo | SBT Interior
A entrevista não aconteceu de um jeito fácil. E não poderia ter sido. Do outro lado da linha estava um pai de luto pela morte da única filha: Priscila Delgado de Barros, que tinha 27 anos.

Recentemente, para o País, Priscila que trabalhava como modelo profissional ficou conhecida como peça central de um crime cercado de dúvidas ainda sem respostas em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Ela foi encontrada morta no apartamento do delegado Paulo Bilynskyj, 33, com um tiro na região peitoral. O delegado foi baleado três vezes e permanece internado em estado estável. Ele afirma que a modelo tentou matá-lo, mas a polícia também investiga a possibilidade de feminicídio.

Na pequena cidade de Parobé, a 80 quilômetros de Porto Alegre (RS), a filha do Seo Wilmar era conhecida como a rainha de uma das festas mais tradicionais do interior gaúcho.

Priscila venceu o concurso Festejando Parobé e foi eleita rainha da festa em 2010, então com 17 anos.

Só que essa lembrança feliz não foi mencionada durante a entrevista. A urgência estava em contar o que, para a família precisava, ser dita.

Para Wilmar Brunsmann, 58, sua filha não cometeu suicídio. Ele questiona, também, as circunstâncias sobre como aconteceram os disparos que atingiram o então noivo da filha. Eles estavam organizando o casamento.

“Eles começaram a namorar tem alguns meses. Um dia ela ligou para a gente e contou que tinha conhecido o Paulo e que estavam juntos. Ficamos felizes por ela. Eu achei rápido demais, perguntei para a milha filha se ela não estava indo rápido demais, mas ela disse que estava feliz e era o que ela queria”, disse ao sbtinterior.com.

Segundo ele, a modelo iria até o sul nesta semana para acertar detalhes do matrimônio.

VIDA NO SUL E A POLÍCIA FEDERAL

A vida da modelo enquanto morava na pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul foi dividida em dois momentos: antes e depois de sua eleição como soberana da festa da cidade.

Priscila se destacava pela beleza. Era alta, tinha cabelos longos e olhos azuis. Chamava a atenção por onde passava.

Após vencer o concurso cultural, Priscila passou cumprir agendas culturais e eventos. Segundo amigos próximos, que pediram para não serem identificados, ela de longe se destacava pelos traços físicos harmoniosos, mas era tímida e tinha jeito mais reservado.

O trajeto profissional da modelo do interior parecia contraditório: enquanto ela tinha todos os atributos para seguir com a carreira de modelo, ao mesmo tempo parecia não querer essa carreira. Fazia alguns trabalhos, chegou a postar fotos em uma de suas duas contas no Instagram como modelo já em Santa Catarina, mas, de acordo com o pai, o objetivo de Priscila era mesmo fazer concurso público para entrar na Polícia Federal. E para conseguir o objetivo, “enfiou” a cara nos livros.

"A curto prazo, quero conseguir um novo emprego, fazer faculdade de Direito. Depois pretendo entrar para a Polícia Federal e, mais tarde, abrir um escritório de advocacia. Também gostaria de viajar para a Irlanda e, como a maioria das pessoas, casar e ter filhos", disse a modelo em uma entrevista para um jornal local, em 2010.

Segundo seu Wilmar, foi no Paraná que a filha teria conhecido o delegado Paulo Bilynskyj.

"Minha filha morava em Curitiba e estava estudando, queria passar no concurso, estava se preparando. Acho que eles se conheceram porque ele conhece essa área e eles começaram a conversar”

A relação entre o casal, de acordo com o pai, não era exposta nas redes sociais, até porque Priscila não mantinha conta no Facebook e raramente postava fotos no Instagram.

Ela preferia a vida pessoal reservada e isso era respeitado.

ESTRANHO

"Olha, se ela estivesse com algum problema com ele, se estivesse infeliz não teria marcado o casamento, não teria combinado de apresentar o noivo para a nossa família. Ela contava que estava feliz com o noivo, nunca se queixou dele pra mim nem pra mãe dela. Nós estávamos esperando para conhecer o noivo da minha filha, a gente só conhecia por vídeo. Ele ligava para a minha esposa e chamava ela de ‘minha sogrinha’. A gente sentia que ele era uma boa pessoa”, desabafa.

Apesar dos elogios, Wilmar não acredita na versão dada pelo delegado. Segundo ele, enquanto a filha morava no sul, nunca teve contato com armas, por isso não sabia atirar.

“Achei muito estranho. Ela nunca teve acesso a armas dentro de casa, eu não tinha armas. Depois, ela começou a namorar e frequentar o curso de tiros do Paulo. Ela estava aprendendo. Me desculpe, mas alguém que atenta contra a própria vida, não atira de lado no peito né? Geralmente são outros locais no corpo…", diz, emocionado.

A modelo foi encontrada com a marca de tiro na altura do peito, na região lateral do corpo, algo incomum em casos de suicídio.

O corpo da modelo seria levado até o sul para velório e enterro. O delegado Paulo Bilynskyj continua internado em estado estável.

O caso está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
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