Quinta, 27 de Fevereiro de 2020

Polícia Civil investiga loja de piscinas acusada de estelionato

13/02/2020 as 10:00 | Bady Bassit | DL News
A Polícia Civil de Bady Bassitt apura aproximadamente 10 denúncias contra uma loja de piscinas que teria recebido o pagamento dos clientes e não entregado a encomenda.

Os boletins de ocorrência foram feitos em janeiro e fevereiro deste ano, mas algumas pessoas estariam sendo lesadas desde setembro de 2019. De acordo com o delegado Ericson Salles Abufares, os casos foram registrados como estelionato e estão sendo investigados. Após as denúncias, as três unidades – localizadas em Bady Bassitt, Rio Preto e Guapiaçu - encerraram as atividades.


De 23 de janeiro até a última terça-feira (11), o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Rio Preto registrou cinco reclamações contra a empresa.

Segundo informações apuradas pela reportagem do DLNews, ao menos 30 pessoas teriam sido prejudicadas. A proprietária da empresa teria dito a uma cliente que trabalhava no ramo há quatro anos. A gerente de vendas Vanessa Micheli Camilo, de Catanduva, pagou R$ 9 mil pelo equipamento de lazer. O pagamento foi feito por meio de uma Transferência Eletrônica Disponível (TED) no valor de R$ 4,5 mil – o restante foi pago com um cheque pré-datado de 30 dias.

"Eu vi o anúncio da loja no Facebook e entrei em contato com a proprietária e fechamos o negócio. Ela chegou a enviar um funcionário até o imóvel onde a piscina seria instalada, recomendou que eu fizesse a instalação no piso superior, tive que mandar o pedreiro quebrar o chão para poder colocar a piscina e agora estou sem o dinheiro, sem a piscina e com o chão quebrado”, diz.

A cliente conta que, após o vencimento dos 45 dias de prazo de entrega, não recebeu a piscina e procurou a dona da loja, mas não teve retorno sobre a situação. "Toda vez que eu tentava falar com ela, ela me dava uma desculpa. Ou estava dirigindo, ou estava com a filha doente, até que ela deixou de responder. Depois ela me passou o telefone do advogado para devolver o dinheiro, mas isso nunca aconteceu”, afirma.

O promotor Mateus Gouveia, de Rio Preto, também passou pela mesma situação de Vanessa. Em janeiro deste ano ele comprou a piscina, mas nunca usufruiu dos momentos de lazer. "Eu vi o anúncio no Facebook, entrei em contato e fechei o negócio. Meu pai foi até a loja para pegar as medidas necessária para a instalação, chegando lá ele encontrou oito pessoas reclamando que não havia recebido a piscina em casa”, conta.

Mateus pagou R$ 10,5 mil pela piscina, dividido em 12 vezes no cartão de crédito. "De todas as pessoas que conheci, fui o único que conseguiu cancelar a compra a tempo e não perder dinheiro”.

A reportagem do DLNews conversou com o advogado Gustavo Petrolini Calzeta, que representa a proprietária da loja. Ele justificou que a empresa não entregou as piscinas aos consumidores porque a fábrica se recusou a receber os cheques de sua cliente.

"O fabricante não quis mais receber os cheques e propusemos um contrato de fiança, deixando uma casa da minha cliente no valor de R$ 270 mil como garantia. Mas o fabricante recusou e queria que fizéssemos uma escritura pública de transferência do imóvel, o que minha cliente recusou. Com isso, recomendei que ela fechasse as unidades”, explicou.

O advogado afirmou que está tentando negociar a situação com os clientes. "Nós colocamos a casa à venda e os clientes serão pagos assim que o imóvel for vendido. Eu propus aos consumidores a rescisão do contrato mais a devolução dos cheques, que estão guardados comigo. Minha cliente não é estelionatária, se ela fosse estelionatária ela não estaria disposta a devolver o dinheiro”.

No entanto, Paulo Cândido de Oliveira, representante comercial da fábrica de piscinas localizada em Pedranópolis, afirma que a loja investigada foi descredenciada em julho do ano passado porque estaria usando o nome do fabricante sem autorização na unidade de Rio Preto.

"Não fazemos negócio com duas lojas na mesma cidade e já temos uma loja credenciada em Rio Preto. Ela (a proprietária) tinha a loja em Guapiaçu, mas abriu a unidade em Rio Preto e continuou usando nossa marca sem nossa autorização”, conta Oliveira.

Segundo o representante, o motivo do descredenciamento da loja foi pela quantidade de cheques sem fundo que o fabricante estava recebendo da proprietária. O prejuízo já soma R$ 100 mil.

"Muitos cheques começaram a voltar ou não tinham fundo. Agora estamos com esse prejuízo, que só aumenta. Registramos um boletim de ocorrência por estelionato porque, além de não receber o pagamento, tivemos nossa marca exposta sem nossa autorização”, afirmou.

No momento em que falava com a reportagem, o representante comercial da fábrica atendia um cliente em Jaci, que comprou a piscina da unidade em Rio Preto. "Estou aqui resolvendo um problema porque os funcionários dessa loja instalaram uma piscina em junho do ano passado, de forma errada, e agora temos que arrumar”.
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